domingo, 9 de novembro de 2014

Camila Porto, gosto da liberdade que temos para criar.”


Camila Porto, vocalista da banda Swett Storm, além de designer da Three Gates ArtSign, com muita dedicação, ela faz dos seus trabalhos um estilo de vida e uma forma de se expressar. Conversamos com Camila, e nesse bate papo esclarecedor, pudemos conhecer um pouco mais dessa batalhadora do Underground. Confira a seguir.

HM Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Camila Porto: Bem, eu gostaria de agradecer pela oportunidade da conversa, é sempre bom este bate papo.
Eu sou Camilla Porto, vocalista da banda Sweet Storm e também desenhista na empresa Three Gates ArtSign. Trabalho com divulgação de bandas, mas minha principal atividade é a arte. Comecei fazendo arte apenas para mim e para a minha banda, e depois comecei a fazer assinaturas para fóruns de jogo e também de música, onde eu frequentava muito. Com o passar do tempo, notei que as ideias amadureceram muito, e eu percebi que a banda precisava de algo mais profissional, então comecei a estudar e ainda estudo técnicas de montagens e desenhos no photoshop. Percebi que, assim como minha banda, a maioria das bandas sofriam com a falta de artes bem elaboradas. Juntei-me ao Peterson e mais alguns amigos e formamos a ThreeGates ArtSign, cujo intuito foi oferecer gravações Demo com baixo custo e o foco principal foi a elaboração de trabalho artístico mais em conta para as bandas também. E vem dando certo, o negócio ainda não deslanchou, mas fico muito grata em trabalhar com a maioria dos músicos que já me deram a oportunidade de colocar minha arte em seus trabalhos.
Este trabalho de divulgação eu faço desde os 16 anos, quando o Myspace era febre e as comunidades no Orkut bombavam. No início, minha ideia era simplesmente conhecer mais sobre mais bandas, foi uma época em que eu baixava e compravas discos, e quanto mais eu ouvia, mais bandas eu queria conhecer, sem me importar com o estilo, bastava eu gostar. Era surpreendente poder conversar com bandas que eu escutava. E isso foi evoluindo, passei a ter um zine, mas infelizmente hoje eu não tenho tempo para continuar, mas garanto que foram ótimos cinco anos. Hoje eu só comando algumas páginas que compartilham informações totalmente underground e brasileiras. Não que eu tenha algo contra o mainstream, mas o underground precisa de mais força e gente trabalhando nele.
Há três anos meu principal foco vem sendo dentro da banda Sweet Storm. Embora pareça clichê, é o meu sonho. Tudo que eu puder fazer por essa banda, farei. Tocar ao lado do Peterson e do Tanaka é vitalizante e esplêndido, é incrível nossa sintonia. Somos crianças e adultos ao mesmo tempo, eu amo a música que fazemos e sei que não se parece com nada que eu já escutei, isso é o que me faz amar ainda mais nosso trabalho, pois ele flui com a nossa cara, é algo nosso.
Estou terminando meus estudos e pretendo em breve ingressar em uma faculdade de música, pois sei que quanto mais eu puder somar na minha música, mais posso contribuir para a cena musical brasileira.

HM Breakdown: E como foi, na época, a aceitação do seu fanzine? Você acredita que o cenário Underground é movido pela paixão das pessoas?
Camila: Eu sempre fui uma pessoa sem papas na língua, quando eu via algo que, na minha concepção, era errado, eu falava. Na época o pessoal adorava, tinha muito pouco canal via internet que oferecia uma divulgação gratuita, nem todos tinham internet em casa, e era o máximo, eu chegava a fazer matéria com cerca de cinco ou seis bandas por semana. Havia pessoas do contra, cheias de frescura. Eu sou de uma cidade que sempre teve muita “panelinha”, conheço gente de banda que se mudou de Uberaba para ter oportunidade, pois aqui não há oportunidades, eram boas pessoas, que faziam um excelente som, mas precisavam ser ouvidas. Ao mesmo tempo em que a maioria adorava o underground, havia os do contra, os que não querem conhecer material novo, que entortam o nariz para som autoral, mas eu não estava nem ai, queria mesmo que aquelas bandas fossem ouvidas. Mais recentemente o zine ganhou um blog, que hoje está fechado. Ele cresceu muito, ganhou colunas, falávamos até do meio ambiente, mas tudo de uma forma underground, gostei muito de falar de tudo, desde o ambiente, a música e o visual do underground, pois afinal isso não é apenas um estilo ou uma música, é um habitat.
Sim, eu acredito e tenho certeza que o underground é movido pela paixão e pela força de vontade. É difícil mexer com isso, como tudo que você faz na sua vida, é complicado de ser feito, pois a partir do momento que algo não depende apenas de você, e sim de vários indivíduos e questões, torna-se complicado. Mas o underground é muito forte, e o melhor de tudo, ele é livre e maior do que pensamos.

HM Breakdown: E como você vê o fato de hoje em dia as pessoas estarem se tornando Web-Bangers e só levantarem a bandeira para deteriorar o que está sendo feito?
Camila: Eu acho errado certas atitudes de egoísmo nesse meio que a gente vive. Hoje, com o avanço da tecnologia, não é apenas o nosso meio musical que anda vivendo online, todos estão assim, o que torna um maior do que o outro é a quantidade de fãs. Eu gosto de pensar e acho certo que cada um tem que contribuir de uma forma ou de outra. Se você não pode ir a eventos, então compre material, ajude uma banda, divulgue outra banda, indique a amigos, compre uma camiseta, um CD, invista, seja em imagem, seja em presença. Se você não faz nem um nem outro, não tem o direito de reclamar de nada. Eu juro para você, prefiro ver um bar com dez pessoas que realmente são bangers do que um bar lotado com pessoas que estão ali só pra fazer cena e dizer: "olha eu estou aqui, eu vivo em evento, sou radical", e não sabem merda nenhuma. A galera tem que se movimentar, tem que levantar a bunda da cadeira, tem que fazer as coisas. Esses falsos bangers que só sabem criticar, falar mal, não fazem nada realmente útil da vida deles, eles só apodrecem, e em algum momento, somem da cena. Gente assim não dura, eles cansam da brincadeira, porque sempre têm seus quinze minutos de fama, os que permanecem são somente os verdadeiros. E a ideia do Web-Bangers, pode ou não ser ruim, é preciso analisar muitas questões para poder criticar e saber o real motivo. Tem cidade por ai que não tem nada, nem um botequim, nem cover, nem mesmo autoral, se o cara não tem grana, o que ele vai fazer? Ficar em casa olhando pela net, às vezes comprar material, quando achar. Mas se você está num lugar que tem pouca ou muita movimentação e, além disso, tem como viajar e acrescentar, você tem que fazer isso mesmo.

HM Breakdown: Perfeito! Você administra o grupo Força e Honra Underground no Facebook, você percebe uma interação das pessoas, e também um interesse das bandas em divulgar seu material por lá?
Camila: Recebemos muito material, todos os dias, muitas bandas têm interesse em divulgar, e isso é muito bacana. A interação das pessoas é mediana, creio que por não ser uma página grande como muitas por ai, com vinte, cinquenta mil curtidas, mas sempre tem gente curtindo, galera que manda mensagem pedindo algum som.
Eu sempre colaborei, postando sempre que podia, assim como em outras páginas. Quando eu entrei no Força e Honra Underground, foi muito engraçado ver a quantidade de gente que pedia o som da minha banda, fiquei surpresa. Eu ficava imaginado se eles sabiam que eu era da banda e se eles realmente estavam curtindo? É o máximo isso.
Tem uma galera mais madura, participativa, gente que realmente sabe o que é o Underground, que curte aquelas bandas. Buscamos mentes mais maduras.


HM Breakdown: E sobre os seus trabalhos gráficos? Falei com o André Luiz esses dias e ele rasgou elogios a você. E mais, fora a capa de Sky and Moon do André Luiz, que outras artes levam a sua assinatura?
Camila: É um trabalho muito importante, pois é a imagem da banda que eu tenho que modelar, trabalhar e criar. Eu gosto bastante, embora algumas vezes seja muito cansativo, mas é muito gratificante poder fazer isso por outras bandas. Sim, recentemente fiz junto com o André Luiz o trabalho completo de encarte para seu novo CD, Sky and Moon, foi muito atrativo trabalhar com ele, pois ele gosta de elementos muito semelhantes aos que eu gosto, em questão de arte, e isso ajudou bastante no momento da criação e foi muito interessante conseguir um resultado simples, que passasse toda a mensagem de seu novo CD. Fora o Sky and Moon, já fiz artes para Catástrofe, Gore Autopsy, Necrohunter, Hate for Revenge, Carnage Hell, entre outros. Recentemente, também fiz um trabalho magnífico com a banda Godslayer, foram duas capas, eles estão usando apenas uma, mas ficou animal, algo bem viking, um campo de guerra com guerreiros representando a banda. E também fiz a atual capa do CD Collector of Souls, da minha banda, ficou genial. Também tive a oportunidade de criar a logo (assinatura) de muitas outras bandas, que para mim é ainda mais gratificante, pois muitas levam aquilo ali por toda a carreira da banda, isso me deixa muito feliz.

HM Breakdown: E quais são os aperfeiçoamentos que você busca para desenvolver este trabalho?
Camila: Assisto videoaulas, algumas matérias a respeito do assunto, muitos trabalhos de outras empresas, em questão de coloração, efeitos de luz. Mas o que eu mais faço é acompanhar canais que nos mostram como utilizar e criar certos efeitos. Sempre tento reproduzir na minha cabeça a arte pronta e transpor na tela do programa.
Sou formada em desenho técnico e artes plásticas, e isso me dá um certo conforto na hora de desenhar, pois já tenho conhecimento de formas e tamanhos, e sempre estou buscando ver aulas e videoaulas de desenhos relacionados a isso.
Mas tem um ponto complicado, não ter muito material voltado para o desenho mais obscuro, dark ou gore, resultando em um ponto escuro na hora da criação. Sempre tento melhorar.

HM Breakdown: Existem muitos sites e blogs com artes relacionadas às que você citou, porém não existe mesmo nenhum que te dê as dicas do trabalho. Você não acha que esta seria uma ferramenta amplamente divulgada, caso alguém resolvesse investir em algo assim?
Camila: Sim, seria interessante uma empresa de maior porte pegar vários artistas e desenhistas por aí espalhados e criar uma forma ou um local de poder centralizar isso e ampliar a divulgação. Também creio que eles não façam isso, pois as gráficas oferecem este tipo de trabalho, não especializado em um estilo musical, mas oferecem o trabalho.
Eu já pensei em criar um blog onde eu filmasse a criação das artes. Mas, ao mesmo tempo, eu me deparo com o fato de eu não ser a pessoa mais especializada na questão de artes gráficas, ainda sou um peixe pequeno diante dos grandiosos que tem por aí. Fico com receio de fazer e quebrar a cara, procuro evoluir para me tornar uma expert.
Mas o blog seria ótimo, podia haver pessoas fazendo vídeos, mostrando a estruturação de desenhos para o metal.

HMB: Sendo assim, você acredita que o Heavy Metal, por si só, é capaz de movimentar um mercado e gerar receita?
Camila: Sim, eu acredito. Creio que tudo deve ser totalmente remodelado, e quando digo remodelado, quero dizer a forma como é vendido, divulgado, deve haver uma maneira eficiente de divulgar esses trabalhos para chegar ao público que irá compra-lo.

HMB: Sua banda, a Sweet Storm, tem uma pegada bem oitentista, mas com uma cara moderna, sempre foi essa a intenção?
Camila: A intenção sempre foi fazer algo com a nossa cara, afastar-se de tudo que nos influencia, pois não queremos que nossa música seja um “Frankenstein”, com pedaços de várias outras bandas. Mas no momento que você se propõe a compor dentro de um determinado estilo, você deve respeitar as raízes deste estilo e utilizar características dele. Hoje, se eu pudesse não escolher estilo nenhum e simplesmente poder fazer a música do jeito que quero, faria isso. E acho o máximo poder soar como algo moderno e oitentista ao mesmo tempo, gosto da liberdade que temos para criar, seja uma música mais pesada, mais simples ou extravagante.


HMB: Porque a banda é um trio?
Camila: Já fomos quatro, no início tínhamos dois guitarristas, mas por questão de tempo, um deles saiu da banda. A ideia é ter no máximo quatro integrantes na banda, caso o baterista entre para a banda, não gostamos de tumulto em termos de produção, o número três tem muitas influencias em cima da gente, por incrível que pareça. Um amigo me falou recentemente que somos um mega power trio, como os pilares que dão sustentação, somos três cabeças pensantes fortes dentro da banda. O porquê mesmo, nem eu sei , mas por incrível que pareça, sinto que tem que ser assim.

HMB: Como está sendo a parceria com a Black Legion Productions?
Camila: Bem, eu já acompanhava há um tempo o trabalho deles, e graças a um parceiro de divulgação, pudemos ter mais contato com este tipo de serviço. Estamos há pouco tempo com a produtora, mas o Alex, que é o responsável, é um cara muito atencioso, que conversa com a gente não apenas sobre o trabalho, mas como um amigo, e isso é muito bom, ele tem algo que eu gosto, ele não tem medo de falar se está ou não ruim, a sinceridade dele é uma virtude que prezo muito, pois mesmo que seja um lazer, também é um trabalho, e isso mostra a seriedade dele. Até o momento está indo bem, mas estamos com grandes expectativas para os próximos meses

HMB: Planos para o futuro?
Camila: Atualmente, estamos colocando muitas coisas em ordem, e recentemente tivemos uma reunião, queremos mudar de Uberaba, não apenas por conta de banda, mas também por questões de emprego e oportunidades, também pretendemos completar o time da banda, pois por mais que a gente toque com bateria programada, não é o certo, a gente precisa de mais alguém, pois sinto que é o que falta para o nosso trabalho deslanchar. Atualmente, também estamos encerrando o Collector of Souls, que vai ser lançado agora em setembro, caso não tenha mais nenhum problema. Queremos que fique com a aparência Underground e bem independente, tanto que estamos fazendo tudo, desde a gravação até a colação dos encartes. Mas não vai deixar de ser um CD bem produzido. E para 2015, já vamos estar embarcando em uma mega produção do nosso segundo CD, Through the Submission, que já estamos fechando com a Black Legion Produções, e também já separando estúdio e produtores. Vamos fazer um book com as setenta e sete fotos e filmes do nosso querido amigo Fábio Fernandes. Quem precisar de um trabalho fotográfico profissional, só falar com esse cara. O restante, creio que vá fluindo.

HMB: Resuma Camila Porto em uma frase ou palavra.
Camila: Uma frase ou uma palavra que me resuma (risos)? Eu diria que sou uma percepção.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Camila: Eu agradeço pela oportunidade de falar sobre mim e meus projetos, espero que a HMB continue com este trabalho magnífico e que cada vez mais pessoas possam ser acrescentadas em todo esse trabalho que vocês e todas as pessoas vem fazendo pela música, não apenas no Brasil, mas no mundo todo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Tanatos, é inadmissível que uma banda precise pagar para ter espaço...


É muito comum olharmos de fora do cenário Black Metal e termos uma visão completamente errada do que realmente é o estilo. Conversamos com Tanatos, vocalista e guitarrista da banda Creptum, que nos atendeu prontamente e se mostrou um cara ligado com o cenário como um todo e também deixou em claro, o que o Black Metal e sua banda, Creptum, significam para ele. Confiram

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Tanatos: Primeiramente, eu que agradeço pelo espaço e apoio. Sou vocalista, guitarrista e um dos fundadores da banda Creptum.
A ideia de criar o Creptum surgiu em 2001 junto com Animus Atra (atualmente baterista) com a amizade e afinidades na música e de ideologias que temos desde adolescente. Nessa época, escutávamos muito bandas como Slayer, Marduk, Dark Funeral, Immortal e isso fez com que crescesse uma vontade de, à nossa maneira, poder tocar e dizer coisas como eles.
Sempre estudei e trabalhei com design, isso ajudou bastante a criar uma identidade para o Creptum, não só musical, mas também estética.
Depois de gravar a demo "...make this world burn" em 2003 e com o aumento gradativo da quantidade de shows, decidi, por motivos pessoais, me afastar da banda. Assim, não só me afastei da banda, como também da cena. Deixando o Creptum nas mãos do Animus. Depois de quase nove anos sem contato direto, nos encontramos casualmente e vimos que a amizade e a ideia do Creptum, poderiam voltar com uma força ainda maior, visto nossa experiência de vida adquirida nesses anos.
Nesta nova reunião, preparada com paciência e cuidado, procuramos adotar uma nova postura (inclusive visual) para a banda, não é mais um projeto de adolescente. Estamos mais velhos e o negócio não é ser 'rockstar'. Queremos espalhar o metal negro ríspido e cru, porém com profissionalismo e maturidade. Ainda abordamos temas como ocultismo e, principalmente o desprezo aos dogmas religiosos, sabendo que isso é um assunto muito mais profundo do que simplesmente pintar a cara e dizer que vai matar todo cristão no mundo.


HMB: O que você acha de bandas que banalizam o ocultismo e a ciência negra e partem para a agressão propriamente dita? Não seria por casos como este que o público em geral tem uma visão um tanto distorcida do que o Black Metal se tornou?
Tanatos: Não acho que seja apenas uma banalização. Vejo mais como uma dificuldade de interpretar as coisas. Se você pegar uma religião de dogmas como o cristianismo, "virar de ponta cabeça" e começar a cagar regras e verdades absolutas, você faz exatamente as mesmas coisas, não há diferença. Talvez seja por isso que, uma grande parte das pessoas com a mente mais fechada tendem em abandonar o estilo e se juntar à religião. Há uma necessidade de seguir regras, e fica difícil se desvincular. Acredito que uma emancipação do ser humano seja a ideia mais próxima de um Black Metal puro.

HMB: Não é desestimulador para você, ver essa fraqueza nos seres humanos e saber que você leva a ideologia apenas aos já "convertidos"?
Tanatos: Sinceramente não. Posso tocar pra dez pessoas, isso pra mim está de bom tamanho. Se a pessoa teve algum interesse no Creptum, seja pelo som, letra ou até pela capa do disco, sei que esta pessoa tem alguma coisa em comum com nossa ideologia e isso já me deixa satisfeito.


HMB: E na sua visão, como é o cenário Black Metal, como um todo hoje?
Tanatos: Atualmente vejo com bons olhos. Apesar do que falamos anteriormente, sobre uma interpretação equivocada do estilo por algumas pessoas, o cenário nacional é muito rico.
Tendo em vista o acesso mais fácil às grandes nomes internacionais, que agora veem com mais frequência ao Brasil, o cenário nacional precisou sair um pouco do amadorismo e criar uma maturidade.
Grande parte das bandas aqui que não devem nada para as de fora. A qualidade é notada desde as gravações de alto nível e até na parte gráfica dos álbuns e demos , e sou extremamente chato com isso (risos).

HMB: E como tem sido o comparecimento do publico aos shows?
Tanatos: Vou responder pelos eventos que tenho ido, pois o Creptum voltará aos palcos somente em novembro.
Apesar da grande qualidade da maioria das bandas nacionais, não vejo uma presença efetiva do público. É claro, em alguns shows internacionais isso muda de figura, mas aí é que está à dificuldade das bandas brasileiras, a galera fala muito de apoio à cena underground, mas poucos o fazem de verdade. Gastam-se um bom dinheiro em ingressos onde no cast colocam apenas uma ou dias bandas locais e, em eventos undergrounds onde o ingresso é 10/20 reais a galera não comparece com a mesma frequência.
Como espectador, é claro que gosto de ver as bandas que nunca pensei em ver ao vivo, os que poderiam equilibrar são os produtores, dar mais espaços pra bandas novas aparecerem em vez de inflar um festival com 5 bandas gringas e uma única brasileira. Um grande exemplo positivo é o Zoombie Ritual, um festival de grandes proporções com 15 atrações internacionais, porém são quase 30 bandas nacionais. Mais eventos como este poderiam rolar por todo o país.

HMB: Será que a condições tributárias do nosso país, impede uma maior realização desse tipo de evento?
Tanatos: Nossa questão tributária é bem complicada mesmo, mas não pode ser usada como desculpa sempre.
Existe, é claro, uma dificuldade financeira em produzir um evento de qualidade, mas o interesse em fazer um festival com determinadas bandas internacionais e não equilibrar o cast com bandas daqui é escolha da organização do evento.
A questão é aproveitar a oportunidade onde é esperada a presença do público em maior número, como shows internacionais, para poder dar uma força às bandas locais.
Já cheguei a ouvir casos que há produtores cobrando para colocar bandas nacionais para abrir shows gringos. É inadmissível que uma banda precise pagar para ter espaço junto a bandas internacionais no Brasil!


HMB: Concordo com você! Como você usa a internet como ferramenta para a divulgação do seu trabalho?
Tanatos: É impossível não usar as ferramentas web. Principalmente para bandas independentes como nós.
Atualmente fazemos uso dos principais canais como: facebook, youtube, bandcamp, reverbnation, lastfm, bandsintown (que, aliás, é uma das ferramentas que considero mais interessantes para bandas atualmente), instagram e outras mais...
Até muito pouco tempo atrás, coisa de dez anos, ainda era bem difícil conseguir material de bandas independentes. De lá pra cá, essas ferramentas só fizeram ajudar na divulgação.
Recentemente li uma entrevista com o vocalista do Emperor, Ihsahn, falando que com a internet perdeu-se o mistério por trás das bandas de Black Metal, concordo que hoje o acesso aos "ídolos" ficou mais fácil, mas isso é positivo. É fácil dizer isto quando as tais bandas obscuras sempre tocaram na sua cidade. Quando adolescente comprava revistas gringas mais antigas nos sebos próximos à galeria do rock pra conhecer essas bandas. A internet trouxe isso mais próximo de nós, e como banda independente, levou o Creptum para onde eu nunca pensei que fosse chegar.

HMB: E com a facilidade de acesso, não teria o público, banalizado o acesso às informações e se acomodado, já que basta querer e estão lá, fotos, releases, CDs completos?
Tanatos: Não vejo dessa maneira. Talvez porque sempre fui daqueles que não importa se tivesse acesso à tudo de uma banda, vê-la ao vivo sempre me agradou muito mais. E não só as grandes bandas de fora.
Tenho muita amizade com o pessoal do Amazarak e o Paolo do Desdominus, por exemplo, e mesmo tendo acesso direto a eles, vê-los tocando ao vivo é sempre gratificante.
Facilitar o acesso ao que oferecemos, é um dever nosso. Não é porque em outros tempos era mais complicado e "suado" para conseguir as coisas que vou querer que uma pessoa interessada no Creptum, passe por isso. Fazemos música para ser ouvida, não importa se é em CD original, mp3 via torrent, youtube ou ao vivo.


HMB: O Creptum lançou duas demos em 2003 e 2004 e só voltou a lançar material agora em 2014, por que a demora?
Tanatos: Eu deixei o Creptum em 2004 mesmo, pouco antes da gravação da 2ª demo. A banda continuou com outra formação até meados de 2005. Após isso, o pessoal foi deixando de ensaiar até pararem de vez. Animus já estava no Carpatus e Nefus estava envolvido em outros projetos. Aí apenas em 2012, se não me engano, foi que reencontrei os dois ocasionalmente. Ali percebemos que o Creptum poderia voltar, e com a formação mais próxima da original.

HMB: E você percebeu uma evolução na cena, de 2005 para cá, ou quando voltou, sentiu que tudo ainda era igual?
Tanatos: Bom, posso dizer qu houve sim uma evolução. Principalmente quanto à quantidade e qualidade dos shows. Mas houve uma ligeira diminuição do público. Fui inúmeras vezes à Fofinho aqui em São Paulo com casa cheia, a galera dando apoio de verdade. Recentemente, em um evento lá, com bandas de altíssima qualidade e que raramente tocam em SP, porém o público deixou muito a desejar, a casa estava bem vazia.


HMB: Planos para o futuro?
Tanatos: Atualmente estou focado na volta aos palcos, que vai ocorrer em novembro com o Creptum. Já fechamos mais algumas datas e em paralelo trabalhamos em um material totalmente inédito para ser lançado no primeiro semestre de 2015.

HMB: Resuma Tanatos em uma frase ou palavra.
Tanatos: Verdadeiro. Não estou aqui de brincadeira.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Tanatos: Gostaria de agradecer a oportunidade e o apoio que tem dado não só a mim e ao Creptum, mas à cena underground como um todo. Essas atitudes que deveriam ser mais vezes repetidas.
Peço aos leitores do HM Breakdown que participem, apoiem efetivamente a cena. Vá aos shows do seu bairro, conheça as bandas à sua volta e valorize-as.

Vida longa ao metal underground!

sábado, 11 de outubro de 2014

Rafael Noctivago, Se tocarmos para uma pessoa ou um milhão não fará diferença


No mundo do Heavy Metal, podemos dizer que 90% das aspirações e dedicações são por puro amor! Em tempos de vida feita de internet e redes sociais, muitos deixam bem claro sua paixão e dedicação pela música pesada, outros fazem disso um estilo de vida que corre em paralelo e igualdade com a, podemos assim dizer, “vida normal!” Com Rafael Noctivago, vocalista da banda Outlanders, não é diferente, leva a fundo sua paixão pelo Heavy Metal, paralela à sua paixão acadêmica, e com isso se desdobra no dia a dia, mostrando dedicação e seriedade em um bate papo muito interessante. Confiram!

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
 Rafael Noctivago: Opa, primeiramente obrigado a você, do Heavy Metal Breakdown, por me entrevistar. Bem, as minhas atividades são muito diversas. Sou formado em Medicina desde 2010 e terminei minha especialização em Infectologia em janeiro de 2014. Trabalho em quatro hospitais como chefe das equipes e possuo meu consultório particular, onde atendo uma vez por semana. Alguns finais de semana eu atendo e outros não. Com relação à música, tenho pouco tempo para me dedicar durante a semana, sendo que apenas aos finais de semana ou às vezes dentro do carro indo de um emprego para outro, eu me dedico ao aquecimento vocal e treino técnicas de canto. Fiz aula de canto por quatro anos com o professor Vinicius Pereira, vocalista da banda Vinnie Pereira. Fora os empregos e a música, eu treino musculação três vezes por semana e sempre que posso me tranco no vídeo game, minha paixão desde a infância.

HMB: Duas paixões extremas! Como você concilia o seu tempo trabalhando em vários empregos e com o Outlanders?
Rafael: Conciliar o tempo nunca foi fácil. Os primórdios da banda ocorreram enquanto eu ainda estava na faculdade e precisava estudar muito. Eu possuo déficit de atenção, que só foi diagnosticado no final do curso de Medicina. Durante o tempo sem diagnóstico, eu precisava estudar de seis a oito vezes a mesma coisa pra entender.
Durante o curso de medicina estudei muito, não apenas para me formar, mas também para entrar na residência médica (nossa especialização), que consiste em um vestibular apenas com questões de medicina em geral e uma prova prática no final. Fiz residência no Hospital do Servidor Publico Estadual e diversas vezes ficávamos de plantão de até trinta e seis horas seguidas. Já perdi a conta de quantas vezes fui direto do plantão para shows ou de shows para plantão. Exausto, mas sempre feliz de estar fazendo o que amo.
Hoje em dia eu não dou mais plantões tão longos, mas mesmo assim entro às sete horas da manhã aos finais de semana, e assim como antes, ainda vou direto do trampo pro show ou do show pro trampo (risos).
No meu ponto de vista, só fica cansado e de saco cheio (tanto do emprego quanto da banda) quem não ama o que faz. Quando você trabalha ou toca com algo que ama de verdade, deixa de ser obrigação e vira seu cotidiano. Você acaba se dando bem com as pessoas em ambos os ambientes e tudo fica tranquilo.


HMB: Mas mesmo assim a conciliação de horários é difícil, tenho esse problema também, na verdade eu gostaria de um dia com pelo menos 40 horas. Mas voltando, você vem de uma família de médicos ou optou pela medicina mesmo sem ter exemplos dentro de casa?
Rafael: Um dia de 40 horas seria sensacional (risos). O único médico em minha família é a esposa de um primo de minha mãe, com quem nunca tive muito contato. Não optei pela medicina por nenhum exemplo. Meu pai é engenheiro e minha mãe dentista. Inicialmente eu queria fazer biologia, no entanto como todos sabemos, no Brasil essa é uma profissão muito desvalorizada (assim como muitas). Acabei optando por medicina exatamente pela cadeira de Microbiologia (estudo de bactérias, fungos, vírus e parasitas). E é o que faço hoje, trabalho com todo tipo de doenças infecciosas, principalmente H1N1, tuberculose, HIV e hepatites. Porém, em minha especialidade, também lidamos com picadas de animais peçonhentos, mordeduras de animais e outros acidentes envolvendo a vida selvagem. No final acabei ficando em contato com a biologia e descobrindo que amo cuidar do ser humano.
HMB:  E porque você resolveu ser vocalista de Heavy Metal?
Rafael: (Risos) Então, eu tentei tocar guitarra, baixo e bateria. Meu sonho inicialmente era ser guitarrista. Um dia me peguei pensando e decidi aprender a cantar, além de tirar os sons que gostava, queria um controle melhor da voz. Aos poucos fui me apaixonando pelo canto e decidi criar a minha banda. Acho que 99% dos headbangers possuem esse sonho de ter a própria banda, então investi pesado nesse sonho. Inicialmente eu gostava de cantar com voz limpa e bem trabalhada, mas depois fui me descobrindo nos vocais com drive e guturais  e acabei ficando nessa praia mesmo. Hoje não me vejo sem a banda.

HMB: E como é a dinâmica da banda nas composições e shows, já que nem sempre você está disponível?
Rafael: A dinâmica da banda não muda muito. Eu sempre adequo meus horários e me desdobro para conseguir manter todos os compromissos em dia. Geralmente fazemos de dois a três shows por mês e ensaiamos todos os finais de semana, aproximadamente duas horas por ensaio. As composições ficam nas mãos do nosso guitarrista Diego, o cara manja muito e eu não manjo nada (risos). No momento estamos terminando as composições para nosso novo CD, que tem previsão de sair na metade de 2015.

HMB: Pode nos falar alguma coisa sobre este futuro lançamento? Você tem uma demo de 2012 que se chama Kretaceous, quais são as diferenças entre esses dois lançamentos?
Rafael: Nosso novo álbum promete ser muito mais pesado. Alteramos algumas coisas nos timbres da guitarra e do baixo. Voltamos a ficar com apenas um guitarrista e os vocais estão na linha de Max Cavalera e Mile Petrozza. Em nosso website (www.outlandersband.com.br) possuímos um teaser, dando aquela amostra grátis para quem estiver curioso sobre a temática do álbum e os títulos das músicas que terão nele.


HMB: E falando nisso, como é a sua relação com a internet e com as redes sociais? Você acha que está é uma boa ferramenta para a divulgação e consequente propagação da sua música?
Rafael: Eu acredito que a internet é apenas mais uma forma de divulgação de nossa música. Redes sociais acumulam quase 75% dos usuários de internet e isso não pode ser deixado de lado. No entanto, vale a pena lembrar que "likes" não significam necessariamente sucesso. A divulgação deve ocorrer de todas as formas possíveis, enviando material para rádios, produtoras, rock bares e até mesmo para outras bandas. Uma forma que nós usamos para divulgar nossa banda na Internet é através da gravação de vídeos, em shows ou em estúdio, de músicas novas ou antigas da banda, e algumas vezes covers também. Isso mostra ao público como a banda realmente é, como nos comportamos e qual o nosso som original (sem efeitos).

HMB: E como tem sido a resposta do público ao Outlanders?
Rafael: Essa é uma pergunta interessante. Inicialmente, o público apreciava muito a banda e ela era bem conhecida. Após alguns problemas, principalmente meus, com integrantes de outras bandas mais "famosas" do underground, e digo famosas entre aspas, pois não as considero famosas, apenas influentes, se é que me entende. Após esses problemas, diversas casas começaram a nos boicotar e a influenciar o público a não comparecer nos shows ou, caso comparecessem, não poderiam agitar, etc. No entanto, apesar de todos esses "problemas", atualmente o público gosta muito de nossas músicas e temos levado uma boa galera para as casas de show. Estive duas vezes na Alemanha, no festival Wacken Open Air (em 2013 e 2014) e em ambas as edições consegui vender todos os cinquenta CDs que levei para o festival, sempre com um ótimo retorno do público. Quando tocamos, o público pede autógrafos em CD e até decidem tirar fotos, isso é algo fantástico. Então, em resumo, posso dizer que atualmente a Outlanders conquistou seu lugar ao sol.

HMB: E como você vê o cenário da música pesada no Brasil? Ainda mais depois de sofrer esse "boicote"?
Rafael: Eu vejo o cenário brasileiro como um local muito promissor. Apesar das casas focarem muito em bandas famosas ou cover (afinal elas precisam ganhar dinheiro, não as culpo, manter um bar não deve ser nada fácil). No entanto fico muito decepcionado ao ver como o público é manipulado, digo isso em relação à cidade de São Paulo, pois é onde vivo. Recentemente, uma das bandas mais famosas do metal brasileiro (não direi nomes) fez um show e no mesmo dia outras bandas, de pessoas "influentes", fizeram outro show. A banda conhecida teve um público muito baixo e as bandas "influentes" tiveram mais de três vezes o número de pagantes. Acho que o público passou a ser de "amigos" das bandas ao invés de pessoas que apreciam de verdade as composições. Quando eu tinha 17 anos de idade, lembro-me bem dos shows na Led Slay, bandas próprias tinham espaço, hoje em dia você tem que ficar insistindo para chamar público, convidando pessoalmente as pessoas, e no final, somente familiares e amigos acabam indo ao seu show. Nossa banda deixou de convidar as pessoas para shows há aproximadamente oito meses. Consideramos que devemos ser apreciados por nosso trabalho e não pelos "contatos" que temos ou por sermos populares e termos muitos "amigos". Quem quiser assistir nosso show está sempre convidado e quem não quiser, está convidado também (risos). Se tocarmos para uma pessoa ou um milhão não fará diferença, faremos nosso som com paixão e dedicação.


HMB: E você acha que com um trabalho focado e determinado é possível mudar essa realidade e trazer mais público aos shows autorais?
Rafael: Com toda certeza. Assim como para todos os problemas, o trabalho duro é essencial para chegarmos à solução. Devemos observar quais são os pontos negativos e quais os principais pilares que levam ao nosso problema. Quando pudermos identificar o que afasta o público dos shows, será simples resolvermos.

HMB: Quais são os temas preferidos nas letras da Outlanders?
Rafael: No primeiro CD a temática foi bem diversa e divertida também, falamos de piratas e dinossauros (risos), além de vickings e anjos caídos. No segundo CD a coisa ficará mais séria, abordaremos temas como fanatismo religioso, problemas políticos e a culpa da sociedade em seus próprios problemas.

HMB: E você acha que a sociedade brasileira está pronta para enxergar seus próprios erros?
Rafael: Cara, aí você tocou num ponto delicado. Na minha opinião, a sociedade não está nem perto de ser capaz de enxergar os próprios erros. Digo isso com o olhar de quem já foi e ficou em vários países. Minha família descende de europeus, italianos e portugueses por parte de mãe e espanhóis por parte de pai. Tenho família na Espanha e frequentemente os visito. Digo a você que a nossa sociedade ainda tem muito a aprender. Necessitamos aprender sobre o respeito mútuo, independente de quem a pessoa é ou do que ela tem ou faz. A individualidade e as particularidades de cada pessoa não são respeitadas no Brasil. E eu já passei por isso. Por não viver necessariamente na periferia e por ter faculdade e etc, já fui diversas vezes taxado de "playboy" e arrogante. Quem me conhece sabe como sou e não vou me alongar, pois esse não é o intuito da pergunta. Resumindo, a nossa sociedade precisa rever seus valores, rever o que realmente quer para o futuro e acima de tudo aprender a respeitar e compreender o próximo.

HMB: Persistindo no assunto. Você acredita que a falta de valores morais ou de desrespeito com o próximo sejam um reflexo da educação de péssima qualidade a que somos submetidos?
Rafael: Não tenha dúvida, meu caro. A educação é a base de uma sociedade. Sem ela voltamos a ser primatas e acabaremos nos matando por comida e fêmeas. Espera um pouco, já estamos fazendo isso né? No dia em que os seguidores de todas as religiões aprenderem a respeitar e compreender a outra religião, os sem religião aprenderem a compreender e respeitar os religiosos e aqueles que se julgam "anti deuses" (porque se existe um anti cristo, deve existir um anti buda e etc, certo?) (risos) aprenderem a respeitar que acredita em deuses, aí estaremos prontos para começar nossa sociedade. Fora o fato do headbanger não respeitar funkeiro, sertanejo, sambista e os mesmos também não respeitarem o headbanger. Ninguém é igual, e só com educação aprenderemos a conviver em paz e um dia quem sabe seremos um país de primeiro mundo.
Tenho certeza que algum ufanista vai começar a reclamar dessa parte, mesmo sem um argumento com embasamento.

HMB: E você não acredita que exista vida inteligente fora do nosso planeta?
Rafael: Com certeza. Acho até que é um pouco de prepotência e ignorância acreditar que não haja vida fora de nosso planeta. Já temos diversas provas científicas de que a vida pode se desenvolver em condições extremas (organismos chamados extremófilos). Inclusive, se não me engano, no último mês saiu um artigo sobre a presença de microrganismos na superfície externa da Estação Espacial Internacional.


HMB: Você acha que o cenário da música pesada no Brasil poderia ser mais unido?
Rafael: Com certeza. Lembre-se que união não é puxar saco de outras bandas e nem apoiar a banda apenas porque é de seu amigo. União é quando você fala quais os prós e contras da banda. É quando os shows não são manipulados e as bandas não ficam de intriguinha entre elas, muitas vezes por inveja.

HMB: Planos para o futuro?
Rafael: Penso em expandir meus horizontes como médico e como músico. Como médico, as coisas estão indo muito bem e agora tenho equipes sob minha supervisão em dois hospitais particulares. Pretendo em breve conseguir mais hospitais para prestar serviços em minha área. Com relação à banda, pretendemos fazer uma tour pelo país assim que sair nosso Full Lenght, e em breve para fora do país se tudo der certo. A longo prazo, pretendo me mudar do país e viver na Europa, com minha família, e possivelmente ter filhos e criá-los por lá.

HMB: Resuma Rafael Noctivago em uma frase ou palavra.
Rafael: Perseverança.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Rafael: Quero agradecer a chance de falar aqui com você e com todos os seus leitores, seria muito bom se tivesse outra oportunidade. Um recado que eu deixaria: “tudo que desejar pode se tornar realidade se tiver perseverança e força de vontade”. É como diz o velho ditado, “a força de um guerreiro não é medida por sua capacidade de derrotar e sim por sua capacidade de resistir”. Um abraço a todos e "Save Your Beer...The Outlanders Are Here".

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Paulão Thomaz, rocker sem pátria!


Paulão Thomaz, baterista e fundador das bandas Centúrias, Firebox, Cheap Tequila, Baranga e Camboja, além disso, uma pessoa que há 35 anos vive o cenário da música pesada brasileira e que conquistou seu espaço com muita pancada nos couros de seu instrumento e com isso, acabou se tornando referencia em sua arte. Além disso, Paulão é um cara tranquilo e com muito boa vontade nos concedeu a entrevista a seguir.

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Paulão Thomaz: Aeee bro valeu! Toco bateria há 35 anos, sempre no Rock, minha primeira banda foi o centúrias gravamos a coletânea SP Metal "e dois discos, o EP Última Noite e o Ninja, todos pela Baratos Afins, depois fui para banda Heavy Metal Firebox, gravamos apenas um disco, isso tudo nos anos 80, gravei um CD com a banda de Rock´n roll, Cheap Tequila também com um CD isso já nos anos 90. Agora estou no Baranga desde  2000, já lançamos cinco CDs, toco também no Kamboja, e estamos gravando o CD de estreia, mas temos um EP com quatro músicas lançado, e gravei também coma banda Mano Sinistra um projeto de viola Rock do Ricardo Vignini, importante músico paulista. isso é um resumo da minha carreira.

HMB: Quais são suas lembranças do cenário nos anos 80?
Paulão: Muito boas! Muitas bandas autorais e em português acontecendo. Harppia, Centúrias, Salário Mínimo, Golpe de Estado, Vírus, Platina e muitas outras. Rock in Rio1. Maravilhoso, tocávamos em teatros, não havia essa coisa de bar infestado de bandas cover. Lembro que havia um teatro aqui no Paraíso (bairro tradicional aqui em São Paulo) chamava-se Teatro Mambembe, os shows eram de terça feira e lotava, vi o Sepultura lá bem no início. Enfim foi muito bacana ajudar a fazer essa história do Metal brasileiro.


HMB: E qual é a sua visão, hoje, do cenário da musica pesada nacional?
Paulão: Como sempre estamos no Underground, o Brasil não é o país do Rock, mas existe uma cena sim, há bons festivais, produtores que fazem shows mesmo com muita dificuldade. Mas estamos ai, como fãs e músicos do bom e velho Rock´n Roll pesado, gravando, tocando música autoral e lançando CDs acho que isso já é um grande avanço, e vamos em frente, fazemos por amor ao rock.

HMB: Mesmo com a indústria musical em franco declínio, você acha que o fã de rock ainda é capaz de sustentar o seu cenário consumindo produtos e merchandize de suas bandas preferidas?
Paulão: Consumir os produtos da banda e comparecer aos shows é a única saída.

HMB: Você foi batera do Firebox, banda que fez certo alarde na época do lançamento da demo Starting Fire, porém, com o lançamento do primeiro álbum, Ou of Control, você se desligou da banda, sua intenção era justamente fazer um trabalho mais voltado ao Rock´n Roll, como no Baranga?
Paulão: O Firebox era uma banda muito boa, mas com a saída do Luiz Mariuitti (baixo) que foi para o Angra, a banda perdeu a química, houve alguns desentendimentos com o Michel que era o líder causando a minha saída. Eu estava desiludido com o Heavy Metal, não gostava do direcionamento músical, aquela moda do metal melódico me fez sair do estilo, na verdade eu sempre ouvi muito Rock´n Roll, Slade, Status Quo, Made in Brazil, Patrulha do Espaço e metal anos 80 que era mais cru e direto, ai resolvi tocar um som que me identificava mais e estou até hoje tocando o que eu gosto que o Rock direto sem firulas.

HMB: E com o Baranga você conseguiu seus objetivos musicais?
Paulão: Em parte sim! Fizemos cinco ótimos discos em português, uma banda verdadeira. Abrimos para o Motorhead por duas vezes, fomos ao Chile e muitos shows bons por aqui. Então não posso reclamar. Em outro sentido, fico um pouco frustrado pela falta de profissionalismo, uma banda como a baranga devia ter crescido mais, faltou produtor, empresário, porque chega um momento que a banda para e isso não é bom! Entendeu? Coisas de Brasil.


HMB: Porque você resolveu não participar da volta do Centúrias?
Paulão: Acho que tive o meu momento lá, tenho o maior orgulho porque o Centúrias me deu o que sou hoje, sem querer fizemos história, hoje vou ao show deles e me emociono. Como aquelas músicas são boas... Mas estou afim de outras coisas no Rock e estou fazendo, mas amo aqueles caras.

HMB: Como vem sendo a aceitação dos shows do Baranga?
Paulão: Mesmo tendo, em alguns momentos, problemas técnicos de som, os shows da Baranga, tem muita energia e carisma e esse sempre foi o forte da banda, o lance ao vivo é muito forte, ultimamente o público tem se ausentado dos shows, devido a vários fatores, grana, bares com bandas cover, muitos shows gringos, mas estamos ai na luta, espero que seja uma fase.

HMB: Bandas cover se tornaram uma reclamação recorrente aqui no blog e nas midias sociais em geral. Você acha que o brasileiro é culturalmente influenciado a acreditar que os trabalhos feitos por aqui são de menos qualidade, ao ponto de valorizarem uma cópia, muitas vezes mal feita, dos seus ídolos internacionais?
Paulão: Com certeza sim, as pessoas falam mal dos donos de bar, mas não é culpa deles! É cultural sim e acho que não vai mudar, o gringo é sempre melhor por incrível que pareça até o cover (risos) Já vi bandas sofríveis tocando com a casa cheia, como também tem excelentes bandas eu mesmo faço tributo ao Lynyrd Skynyrd, nada contra, o cover isso sempre existiu, mas trocar totalmente o apoio a essas bandas em detrimento ao som autoral é demais, por outro lado não ha bandas, de qualidade, suficiente para cobrir as noites em todos os bares então o cover é importante. O problema é a total desvalorização do som autoral, temos ótimas bandas por aqui cantando na nossa língua e estamos precisando disso. O país esta falindo e o Rock tem sim, seu papel social também, eu e as bandas que toco se preocupam com isso e não vamos desistir principalmente o Kamboja, que tem em seus temas algumas músicas que tratam da nossa realidade.

HMB: Porque cantar essencialmente em português?
Paulão: Acho que tudo é o objetivo da banda, no meu modo de ver acho legal cantar no seu país uma língua em que todos entendam, veja bem no brasil poucos falam e entendem bem em inglês, certo? Então como passar o recado se não temos uma segunda língua aqui e agora mais que nunca temos que passar o recado em português. Qual a música mais conhecida do Dr. Sin? Futebol, Mulher e Rock´n Roll. A do Korzus? Correria e Catimba! São dois exemplos muito fortes do que estou dizendo.


HMB: E não seria até mesmo por causa das bandas cantarem em inglês, uma forma de acentuar esse lado xenofilista que o brasileiro tem?
Paulão: Sim, com certeza! Essa coisa terçeiro mundista nos afeta muito, não vamos ser hipócritas e falar em 100% nacionalistas, porque não somos! Mesmo porque o Rock não é brasileiro e eu mesmo gosto de muita coisa estrangeira. Mas estamos falando em Rock brasileiro, ai eu acho que tem que ser em português, o Ratos de Porão  faz turnês há muitos anos na Europa cantando em português, ai você fala no Sepultura. Bom ai é outra história, igual a eles nunca mais.

HMB: Você acha que dificilmente alguma banda daqui vai chegar a um patamar equivalente ao Sepultura? Eu acredito que com a estrutura e o investimento certos, isso pode acontecer.
Paulão: Não sei não! Acho muito difícil, o Sepultura estava no lugar certo na hora certa e principalmente com os caras certos, Max e Igor, eu os vi no Aeroanta (casa de shows  dos anos 80 aqui de São Paulo) e nunca havia visto nada igual, era muita adrenalina e carisma juntos. Isso acho que acontece em 1000 anos (risos). Temos bandas com certo sucesso, mas mano, o Sepultura influenciou os gringos, nunca mais vai acontecer isso em termos de Rock.

HMB: Entendi o seu pensamento. Como você se vale das redes sociais para divulgar o seu trabalho?
Paulão: É o Facebook é legal pra divulgar trampo, shows, marketing pessoal, divulgar os endorses. Mas não me iludo não, neguinho fala que tem 1000 likes no vídeo ou no CD, mas na hora do show vão 50 pessoas (risos), o cara não tira a bunda da cadeira pra ir ao teu show, entendeu?

HMB: Então não existe Rock sem muito trabalho duro?
Paulão: Claro que não! A não ser com muita grana pra comprar jabá, mas mesmo assim tem que ter música boa e consistente.

HMB: Nada mais ligado ao rock que a santíssima trindade: cerveja, mulher e Rock... Você acha que, uma banda não tem como errar dentro desse quadro?
Paulão: Acho que já esta desgastado, acho legal ter uma ou outra música com esse tema, mas não ser o principal , isso tudo já esta desgastado.


HMB: Quais são as diferenças líricas do Kamboja e do Baranga?
Paulão: O Baranga sempre foi mais focado na diversão cerveja, mulher, carros. O Kamboja tem uma ou outra assim, isso é inerente ao Rock, mas temos também letras com temas mais sociais, como a hipocrisia da sociedade, a mentira dos políticos e realidade brasileira, acho que estamos precisando protestar uma pouco, não da pra ficar mais alienado.

HMB: Então, a música é um excelente veículo para o protesto?
Paulão: Pode ser sim um veículo de conscientização, mas sem exageros pra não ficar panfletário e chato. Rock´n Roll é diversão também.

HMB: Você sente uma evasão do público nos seus shows?
Paulão: Infelizmente sim, são muitos os fatores que levaram a isso , espero que melhore, situação financeira, shows gringos, covers, etc.


HMB: Planos para o futuro?
Paulão: Continuar gravando, tocando. Enfim, continuar na estrada espalhando a ideologia Rock´ n Roll.

HMB: Resuma Paulão Thomaz em uma frase ou palavra.
Paulão: Rocker sem pátria (risos).

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixa aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Paulão: Opa! Obrigado a você. Foi uma boa entrevista perguntas inteligentes, valeu mesmo! Prestigiem as bandas brasileiras, tem muita coisa boa, confiram algumas; Carro Bomba, Kamboja, Baranga, Cracker Blues, Salário Mínimo, Centúrias, Dr. Sin, Korzus, Torture Squad, A.V.C., Golpe de Estado, Saco de Ratos, Makinária Rock e muitas outras. Abraço a todos os leitores, obrigado!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Débora Nunes, eu aprendo, eu me renovo, me reinvento.


Débora Nunes, vocalista da banda relativamente nova, Lascia. Com uma clareza imensa de ideias e posições muito claras a respeito do que quer para sua banda e sua música, Débora nos brindou com uma conversa franca e muito proveitosa. Confiram!

HM Breakdown: Olá Débora, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Débora Nunes: Obrigada, é um imenso prazer participar dessa conversa. É sempre um pouco complicado falar de nós mesmos (risos), vamos la!
Sou bastante determinada, gosto de correr atrás de tudo que idealizo, sou bastante focada, criativa, um pouco pilhada até, amo música, amo cantar e amo filmes de terror.
Eu sou bacharel em comunicação social e artes, radio e televisão, trabalho também com produção de TV e atuo como vocalista da banda Lascia.
A arte e a música sempre me atraíram, com 14 anos consegui realizar o sonho de estudar música, violão, teclado e então parti para aulas de canto, no decorrer dos anos fiz aulas de coral, canto popular, técnica vocal, por sete anos e canto lírico, logo montei minha primeira banda e daí para frente passei a tocar em diversas bandas covers, até me encontrar definitivamente na Lascia.

HMB: E porque você se resolveu pela comunicação social?
Débora: Por incrível que pareça foi aos 45  do segundo tempo, eu estava pronta para seguir carreira em ciência da computação quando me ocorreu que eu queria algo mais dinâmico, e aí o curso de comunicação tinha muito a me oferecer, incluindo como lhe dar com as pessoas de forma geral, em especial rádio e televisão era um conjunto de tudo que eu admirava e tinha curiosidade de aprender e saber como funcionava além de na parte técnica me oferecer muito conhecimento, isso ia me fornecer os pilares essenciais  para desenvolver qualquer trabalho artístico com qualidade e objetivo.


HMB: E dentro desses trabalhos artístico e fora a banda, você tem planos para esta área?
Débora: Eu trabalho com isso atualmente, mas tenho muito que aprender ainda, eu tenho planos para trabalhar com edição, mas isso vai depender de muita coisa.

HMB: Como foi para você começar a cantar e porque a preferencia pelo Heavy Metal?
Débora: Eu sempre admirei a arte de cantar, mas nunca havia me arriscado, começar a cantar foi um achado dentro de mim, antes de conhecer o rock, o metal eu achava que apenas pessoas com vozes estabelecidas pelo que tocava na mídia popular eram as certas para cantar, eu não tinha noção da amplitude do negócio.
Em casa o som pesado não fazia parte da seleção de músicas, porém havia muito material de músicas internacionais, e LPS de novelas, que quase sempre tinha uma balada de bandas de Rock, eu me identificava com aquelas músicas, o som parecia fazer parte de mim, até que percebi que era confortável canta-las, comecei a comprar CDs, revistas, e queria cantar aquelas músicas com técnica para conseguir fazer o que eu não conseguisse sozinha. Quanto ao estilo, fui atrás de cada banda que me identificava, seja pelo som, pela voz, pela letras ou ideologia, primeiro nas bandas de Hard Rock e aí foi só um pequeno passo para o Heavy Metal.
Meu maior desejo era estudar canto para conseguir cantar tudo que parecia difícil, minhas músicas preferidas e faze-lo bem feito. A preferencia pelo Heavy Metal é porque é um som que mexe comigo de diversas formas, eu me encontro nele, eu aprendo, eu me renovo, me reinvento.

HMB: Você acha que todas as pessoas devem perseguir os seus sonhos, independente da aparente distancia que ele parece ter?
Débora: Com certeza, acho que devemos ser persistentes, pois nunca sabemos o quão distante ou não nossos objetivos estão, tudo pode acontecer,  claro que as coisas não acontecem como mágica ,mas muito depende da nossa vontade e determinação.


HMB: Como é ser uma mulher em uma banda de homens?
Débora: É divertido! A parte de organização, os comunicados ficam por minha conta, dou opinião nos looks para sessão de fotos, é uma honra, me sinto lisonjeada, é gratificante, sempre me dei melhor com amizades do sexo masculino, no caso da banda um deles é meu namorado e os demais são verdadeiros irmãos, amigos, pessoas maravilhosas e de muita confiança que tive a sorte de encontrar e dividir o palco e as ideias.

HMB: Fale sobre a Lascia.
Débora: Adoro essa parte (risos), a Lascia marcou uma nova era p mim, foi quando resolvemos deixar de vez de fazer cover e pegar pesado com o som próprio, no inicio ainda estávamos um pouco em duvida com relação ao estilo, quem ouviu as demos sabe que era algo bem mais alternativo, com sampler e voz mais limpa, mas esta no sangue (risos) som pesado e vocal rasgado era a preferência e não demorou muito para encontrar o estilo ideal para a banda, logo associamos a temática das letras, a paixão pelos filmes de terror e as formulas da Lascia começaram a ganhar consistência, demorou um pouco para encontrarmos as pessoas certas, com as idéias certas, dispostas a um trabalho sério praticamente começando do zero, não foi fácil, mas como costumo dizer, valeu a pena esperar, e agradeço a cada não de outros integrantes, porque esse time é exatamente o que eu buscava desde o inicio. É o time de peso que faz a banda ser o que é, o Diego sempre opta por riffs marcados e de peso, o Humberto é muito criativo nas linhas de bateria, o Allan sempre percebe os detalhes, cria dedilhados lindos e melódicos, o Denis sempre acrescenta peso e cria ótimas linhas p baixo. Acho que a Lascia tem muita sorte, embora haja muito a ser feito, vamos crescer muito juntos, sempre aprendo com cada um.

HMB: Vocês lançaram agora o EP "Nightmare", como vem sendo a aceitação do material?
Débora: Sim, acabamos de lançar o "Nightmare" e é uma grande realização para todos nós, estamos muito felizes com esse momento, e por outro lado lembra-nos que temos muito trabalho com nosso futuro álbum que está em fase de composição.
A aceitação tem sido bastante adequada, recebemos criticas muito positivas, tivemos um retorno bem bacana principalmente por se tratar de uma banda relativamente nova no cenário, muitos estão descobrindo a Lascia agora através desse lançamento, é bem legal ver pessoas desconhecidas e até mesmo de outros países, nos parabenizando pelo trabalho, por enquanto estamos divulgando a versão on-line do material, mas vamos fazer as cópias físicas também.


HMB: Apesar de intimamente ligado ao estilo, poucas bandas hoje em dia abordam temas de terror, então. Por que vocês seguiram por este caminho?
Débora: Bom, o macabro tem lá seu charme (risos), além de gostarmos muito de filmes do gênero, era a deixa perfeita para nossas letras , não queríamos trabalhar com temas pessoais apenas, queríamos algo abrangente e esse tema tem muito a nos oferecer, além de que podemos dizer muito nas entrelinhas, é uma inspiração para a parte sonora também, as composições  ganham um "Q" a mais baseadas nisso , o clima de mistério é bem atrativo e nos da uma ampla visão para performances e a construção do show, o peso do som colabora para deixar tudo extremamente favorável.

HMB: E como é o desenvolvimento da parte lírica?
Débora: É preciso inspiração mesmo tendo um tema pré-estabelecido, dependendo do personagem eu tento captar o melhor, a essência e tento ao máximo expressar com palavras o tipo de sentimento do personagem ou da cena em questão, a dor, agonia, adrenalina, tento viver aquilo por alguns instantes para retratar da melhor forma, não é apenas contar uma história, tem que senti-la.
Já trabalho isso em cima das bases da música, e quando percebo a melodia também está criada.

HMB: Então você se vale da literatura para criar suas letras? O que você pensa da literatura de terror brasileira?
Débora: Atualmente estão mais voltados para filmes norte americanos , alguns clássicos, outros não, mas sim a literatura está presente o tempo todo, até porque boa parte dos bons filmes partem de bons livros e em alguns casos até quadrinhos, como é o caso do Corvo. Quanto a literatura de terror nacional, eu acho bastante atrativa, creio que dariam bons filmes também, temos ótimos autores aqui e acabam não devendo nada para os grandes mestres do horror estrangeiros a quem provavelmente se inspiraram.

HMB: Qual a sua opinião sobre o cenário da música pesada brasileira?
Débora: O cenário da música pesada brasileira tem bandas muito boas, mas uma grande parte delas com pouquíssima divulgação, infelizmente existe pouco espaço, espero que esse cenário cresça cada vez mais e conquiste o espaço merecido. 


HMB: Como vem sendo os shows da Lascia? Você acha que o público prestigia e dá força para os eventos de bandas nacionais?
Débora: Então, a Lascia vai começar os shows agora, nós preferimos finalizar o EP antes de qualquer coisa e por isso nos privamos dos shows durante o período de composições e gravações, agora que vamos descobrir de fato.
Quanto ao apoio do público, no cenário infelizmente muitos ainda preferem ir a shows de bandas covers, porém muitos não frequentam shows de bandas autorais pelo fato de não conhece-las, por outro lado os que frequentam são bastante fiéis.

HMB: Na sua visão, qual seria a fórmula mágica para mudar essa realidade?
Débora: É complicado, acho que não existe uma formula mágica, talvez mais eventos voltados para bandas autorais, mais mídias, talvez a partir do momento que as bandas autorais tiverem mais espaço, o público vai crescer, o público não pode apoiar ou gostar de algo que não conhece , que não os atinge, precisamos atingir essas pessoas, por outro lado falta um pouco de interesse do público, pois quem procurar por bandas autorais de som pesado com certeza vai encontrar diversas muito boas, creio que por parte das bandas todos fazem o possível, mas precisamos de mais apoio.

HMB: Mas a mídia especializada está ai, nos mais diversos formatos e segmentos. Não será por que o brasileiro tem o péssimo hábito de se por em segundo lugar e por isso, acaba não valorizando sua cena e suas bandas por acharem que tem menor qualidade?
Débora: Essa é uma boa questão, eu também sou muito fã de bandas internacionais, as minhas maiores influencias são internacionais, é verdade a mídia especializada esta aí, mas no país do samba, sertanejo, pagode e do funk ainda temos pouco espaço, na cultura brasileira tem pouquíssimo espaço para o rock, a cena cresce a cada dia mas não dá para dizer que somos maioria, não acho que o brasileiro se coloca em segundo lugar por ser fã ou valorizar bandas de fora, aqui existem ótimas bandas e se forem de qualidade e tiver o espaço merecido vamos gostar e apoia-la da mesma forma , existem bandas com qualidade e sem qualidade em qualquer lugar, se uma banda é realmente boa, e tem os elementos certos, ela vai aparecer no cenário mais cedo ou mais tarde, ela pode não ficar superfamosa, mas terá seu trabalho destacado onde for, não posso julgar ninguém por ser fã de grandes nomes do metal que de repente não são daqui, acredito que com um bom trabalho temos reconhecimento em qualquer lugar do mundo.


HMB: Planos para o futuro?
Débora: Meus planos para o futuro tem tudo a ver com a Lascia, muitos shows, muitos álbuns e o que de melhor possa vir a nós.

HMB: Resuma Débora Nunes em uma frase ou palavra.
Débora: Essa é difícil, vou tentar: Determinação!

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Débora: Eu que agradeço o tempo e espaço cedido, foi um grande prazer poder falar um pouco de mim e em especial da Lascia, esse momento está sendo muito bom para a banda.
Bom, a mensagem que eu deixo é: Corram atrás de seus objetivos, e ouçam nosso primeiro EP que acabou de ser lançado.
Obrigada a toda equipe do HM Breakdown, muito sucesso a vocês.
Não poderia deixar de citar nosso slogan:
Stay Awake, Stay Alive. 
Obrigada JP, foi um prazer.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

André Luiz, ...a música é o caminho para superar qualquer barreira...


André Luiz, guitarrista virtuoso, nascido no estado do Paraná, se interessou muito cedo por seu instrumento e de lá para cá, nunca mais parou, já lançou quatros CDs onde mostra toda sua técnica e sua versatilidade em explorar os mais diversos elementos em sua música. Dono de técnica apurada e bom gosto, este professor e compositor desde 2009 vem lançando material e realizando shows. Nesse bate papo, ele nos mostrou que humildade e espiritualidade são os pontos fortes de sua careira. Confira a seguir.

HM Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
André Luiz: Eu que agradeço, o prazer é todo meu! Em resumo, tenho a música no sangue. Apesar da minha família não ser de músicos, acho que pendi pra esse lado musicista através de amigos, como é clássico pra todo iniciante nessa carreira musical.

HMB: E você sempre quis ser guitarrista ou experimentou outros instrumentos até finalmente chegar à guitarra?
André Luiz: Comecei como baterista e depois fui para o contrabaixo, mas minha adaptação maior foi nas seis cordas, e depois de ter visto o filme A Encruzilhada, ali decidi que queria ser guitarrista e violonista. Treinava horas e horas, isso me rendeu, em parte, um pequeno problema na coluna, mas depois de um tempo fiquei curado. E em minha infância eu já tinha acesso ao mundo virtual para estudar.

HMB: Então podemos afirmar que Steve Vai foi sua primeira influência?
André Luiz: Sem dúvida! Lógico que tenho outras influências, mas tudo partiu do gênio Tio Steve Vai (risos), depois disso passei a priorizar não só as melodias, mas também a harmonia, que é a alma do negócio. Fiz muitos estudos e pesquisas, durante esse período, do mundo exótico que chamamos de guitarra.


HMB: E quais são suas influências, percebo no seu trabalho aquela urgência dos guitarristas do final dos anos oitenta, mas também um feeling voltado ao blues, parecido com Robert Jonhson.
André Luiz: Exato, isso é uma grande referência, meus amigos gostavam de Rock Progressivo e minha irmã sempre escutava Abba, Carli Simom, Toto, Journey. Sempre fui fascinado pelos timbres vintage, por baterias com alto efeito de reverb ou echo. Gosto de classificar minhas influências de acordo com cada CD que crio. No meu segundo CD, Eclipse, tem uma música, Gira Cigana (Flamenca), que exigiu que eu escutasse o grande mestre Paco de Lucia. Em alguns casos, tem alguma coisa mais Rush ou até mesmo U2. Procuro pesquisar guitarristas que saibam usar efeitos sem embaralhar o som. E o Alex Lifeson sabe usar bem esse tipo de recurso. Também não esquecendo do grande The Edge.

HMB: Você tem três CDs lançados e está lançando um quarto, Sky and Moon, que tipo de sentimento você tenta transmitir em suas músicas?
André Luiz: As músicas têm como fator a alma, são coisas que vivo, leio, vejo. Procuro não fazer só a música, e sim tentar achar algum ponto onde todos se identifiquem com o que estou querendo passar. Para ser mais claro, procuro tirar algo que só minha alma sente! Nesse meu quarto trabalho, viso esse ponto de vista (guerra, amor, paz, alma, divino, Deus), estes são fatores que não deve faltar. Em cada CD há uma história!

HMB: Então você busca uma relação espiritual com seu instrumento e com sua música, você acha que o brasileiro se identifica com essa relação mais espiritualista da música?
André Luiz: Creio que a música hoje em dia não está tão focada assim em construções, arranjos, sentimentos de paz, e sim focada em deturpar a imagem com letras que não têm conteúdo.  A espiritualidade não vem por letras e músicas de baixo valor, a prova é que música é fácil, compare quadradinho de oito com uma simples melodia de Us And Them, do Pink Floyd.

HMB: E como é ser um artista solo? Você utiliza músicos contratados ou usa samplers nas suas apresentações?
André Luiz: No começo, tem que ter muita calma, as coisas vão criando forma só depois de algum tempo. Músicos que querem viver da música são poucos, e os poucos já estão todos contratados. Optei por usar samplers por um motivo bem simples, excesso de bagagem (risos), essa é a única forma de ter tranquilidade sem perder a cabeça!
Entendo que ter um trio faz uma presença maior em cima dos palcos, mas prefiro não me estressar com certas coisas que, diga-se de passagem, são complicadas! E também tem outro lado, o músico solista fica meio de fora do som comercial, o mundo instrumental não é muito bem visto pelo lado popular, é um caminho longo, mas que, com força de vontade, flui naturalmente. O sol nasceu pra todos!


HMB: Conte-nos como foi a produção de Sky and Moon?
André Luiz: Como dou aulas de música, alternava de sexta para sábado com as gravações, sem contar que tinhas shows pra realizar, coisas do dia a dia! Então dei total liberdade ao Fernando (dono do estúdio onde Sky and Moon foi gravado) para equalizar as músicas, entre outras coisas, como ideias de arranjo e coisas do gênero. As músicas foram gravadas em um take só! Colocamos prioridade nos efeitos, que gosto muito, isto em algumas músicas. Gravei as baterias em outras. Era bateria eletrônica, como o programa que usei, Beat Craft, o resto foi manual! Não foi cansativo, inclusive, em alguns momentos, eu improvisei na hora.

HMB: Como é o cenário musical para o seu trabalho na sua região? Você acha que é possível explorar outras cidades e estados com sua música?
André Luiz: Em qualquer lugar é possível, mas só em alguns lugares é mais aceito. Na minha cidade, por exemplo, a aceitação demorou uns sete, oito anos. O motivo é bem simples, o costume da galera gostar do instrumental é escasso, mas não impossível. Mas se você canta, o espaço é aberto com facilidade. É como eu costumo dizer, para quem conhece, o estilo é tranquilo, mas para quem não conhece, é meio exótico, para não dizer estranho (risos). Para quem me conhece, fica muito mais fácil o acesso! O esquema é acertar o público de acordo com o som que você faz! Nas minhas apresentações, não toco só o Fusion, mas misturo vários estilos para cada ambiente! Toco samba, chorinho, flamenco, Metal, música clássica!

HMB: A capa de Sky and Moon foi elaborada pela artista Camilla Porto, da Three Gates ArtSign. Como se deu essa parceria?
André Luiz: Tudo começou através da equipe Cranium Release, do meu amigo Carlos. Ele me deu uma dica sobre a Camila, então foi uma coisa de primeira, eu só passei a ideia e ela executou em um piscar de olhos o que eu queria.  A arte inteira foi ideia dela, a minha participação foi só em algumas mudanças. Gosto de trabalhar com pessoas dedicadas e que sabem realmente o que o músico precisa. Essa parceria já esta prevista para os próximos CDs, até mesmo DVDs. Eu recomendo o trabalho da Camila, a visão que ela tem é exótica e fascinante! Sem contar que ela faz o trabalho com responsabilidade, o que é difícil encontrar!

HMB: Como foi para você ser eleito “Guitarrista Revelação do Paraná”, em 2013? Fale-nos sobre essa premiação.
André Luiz: Ah sim! Isso para mim foi uma surpresa, sabemos que nosso trabalho não foi em vão, ser eleito entre tantos outros músicos de fantástica categoria!
Essa premiação veio por intermédio da Banda Curitibana Mega Mix, que também deu um up nessa minha jornada. Agradeço a eles também, essa é uma banda com ritmos variados. Por intermédio deles, estou onde estou!
Na hora da premiação, fiquei sem reação, vontade de tremer não faltava (risos). Recebi o certificado das mãos do príncipe dos Godos do Oriente, sem contar que havia grandes celebridades, como apresentadores de grandes redes de televisão, então não era pra menos estar meio nervoso. A simplicidade é a alma do negócio para chegar ao seu destino, existem alguns sacrifícios. Explicar a sensação é difícil, não tem como detalhar!

HMB: O que podemos esperar de André Luiz nos palcos?
André Luiz: Tentar contar como é minha vida através das minhas canções, apresentar algo que todos nós procuramos, compreensão nos braços do mestre Celestial! E ao mesmo tempo energia, mostrando que a música é o caminho para superar qualquer barreira, independente do estilo musical!


HMB: Planos para o futuro?
André Luiz: Meus planos futuros são: manter o que eu conquistei durante esses anos de estrada e manter viva a arte, independente de alguns acontecimentos, os quais todos nós já passamos, tanto na vida pessoal quanto na arte, em qualquer área!

HMB: Resuma André Luiz em uma frase ou palavra.
André Luiz: Realização!

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate papo. Deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

André Luiz: Eu agradeço de coração pelo espaço e pela compreensão sobre minhas respostas, espero não ter afetado ninguém com algumas coisas que eu disse, mas não julgo, e sim digo o que é visível para o mundo! Se existe Deus, por que temer a vida?