quarta-feira, 30 de julho de 2014

Daniel Ávila, Heavy Metal e gastronomia


Daniel Ávila, baixista da banda Stodgy, do Rio de Janeiro, mas especificamente de Barra do Piraí, formado psicólogo com especialização em Psicologia Fenomenológica Existencial, ciência que busca a compreensão mais ampla a partir da queixa do paciente. E buscam compreender as dificuldade e superá-las. Além disso, Daniel é um cara que ama o que faz e é também, formado em gastronomia. Vive o Heavy Metal com sua banda, e busca a união das bandas para melhorar a qualidade das apresentações. Confira a seguir.

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Daniel Ávila: Cara, que isso eu que agradeço a Heavy Metal Breakdown em nome da Stodgy. Taí uma pergunta que não me deparo todos os dias... Então, atualmente aos 27 anos, faço uma especialização em Psicologia Fenomenológica Existencial, pois consegui terminar minha segunda faculdade no final do ano passado, onde me formei em psicologia e hoje atuo na área clínica. A primeira me formei no final de 2007 em gastronomia e culinária, pois como um bom gordo, sempre gostei de cozinhar e me arriscar com as panelas (risos). Nesse intervalo, em 2008, tive um café e surgiu a Stodgy. Porra, hoje eu não consigo me ver desvinculado da banda, saca... Curto som desde a adolescência, sempre fui fissurado em Thrash e suas vertentes. Lembro quando era mais novo, por volta de uns 6 ou 8 anos, via a banda do meu primo ensaiando  em uma garagem e hoje ele faz parte da formação da Stodgy. Quase algo de família, entende (risos). A banda faz parte do meu percurso de formação profissional, saca (risos). Lembro que quando começamos, sempre tivemos o ideal de compor nossas próprias musicas e tal e "reviver a cena underground" da nossa cidade, onde na década de 90 era bem forte. No decorrer destes 6 anos, montamos um álbum totalmente independente, arcando com todas as despesas (capa, prensagem, estúdio, etc), com dez faixas autorais, em relação a cena até o final de 2012 estava indo "bem", caso essa palavra encaixe, mas como sempre quando se monopoliza na mão de um da rolo (risos). Ai, fizemos uma união com umas bandas amigas aqui da região, e realizamos  juntos o Metal Bastards Union em 2013. Bem, no inicio de 2014 o Simão entra na banda substituindo Neive, que por motivos profissionais teve que deixar a banda. Agora estamos em fase de composição, estamos com seis musicas inéditas e uma que vamos gravar em agosto e lançar um single. Já tem uma prévia no nosso diário de ensaio, no canal oficial do You Tube. Cara e hoje eu me vejo fazendo tudo o que eu gosto. Não posso reclamar (risos).

HMB: Você acha que é possível unir a paixão pelo Heavy Metal e pela gastronomia?
Daniel: Claro, sempre tem como. Aqui, temos o habito de reunir a galera mais chegada para fazer o "Dezembro Negro", que nada mais é que uma reunião para escutar som e comer ogrisses. (risos). Eu e Uesllen, ficamos responsáveis pela cozinha, no primeiro ano fizemos um bolo de carne de metro empanado e frito em banha de porco, no segundo ano, uma feijoada, e nos últimos dois anos hamburgueres gigantes e baconese. Ano passado que não rolou fazer, pois eu estava enrolado com o final da faculdade, mas esse ano com certeza vai rolar um. O legal é que todo ano gera-se uma expectativa sobre o que vai ter para comer e quem vai participar, fica foda! Cara, essa é uma parada que eu me amarro em fazer, um prazer quase orgástico (risos).


HMB: Sei bem como é ter uma banda Gourmet. Você consegue imaginar um cardápio voltado aos fãs do Heavy Metal, ou a gastronomia é sempre voltada a todos? E se sim, como seria esse cardápio?
Daniel: Cara, eu acho que a gastronomia pode ser sim acessível a todos, alias acho que essa é a grande dificuldade que implica nessa profissão. Mas tem como criar sim, um cardápio Heavy Metal. Cara, eu penso sempre em algo pesado, algo que tenha variações de carnes, bastante bacon, queijos e molhos pesados, acompanhados sempre de uma cerveja bem gelada saca! Mesmo que eu não esteja comendo carne há quase dois anos, eu consigo pensar nesse cardápio e fazer também uma substituição para o vegetarianismo. (risos). Seria legal pensar nesse tipo de cardápio.

HMB: Vamos fazer! Metal e Gastronomia. Quem sabe uma disputa na cozinha entre nossas bandas?
Daniel: Porra, isso seria do caralho! Estamos dentro! Fat metal, ai vamos nós (risos)!


HMB: Vamos combinar isso então. Voltando: e unir o Heavy Metal com a Psicologia?
Daniel: Cara, aqui já é mais complicado que na gastronomia (risos). Mas na real, eu vejo que o Metal é o que me auxilia a manter o eixo, sabe? Alivia o estresse, me auxilia a pensar em questões pessoais, resolver problemas, e essas coisas. Eu não fico um momento sem escutar Metal, alias, nem sempre só Metal, às vezes Blues, Rock clássico, e outras vertentes do som. E pensando um pouco mais a fundo, segundo Heidegger: "Se nada, a priori, determina o ser, o que o determina são seus modos de ser.", ou seja, não tem como pensar nesses dois pontos para mim de forma distinta, pois ambos me determinam em sua dinâmica. Assim, mas voltando a pergunta, sim tem como! (risos)

HMB: Em que ponto você descobriu que gostava de psicologia e resolveu seguir por este caminho?
Daniel: Então, quando eu me formei em gastronomia no final de 2007, já estava com a ideia de abrir um café e começar a movimentar com a gastronomia. Comecei em fevereiro, os negócios começaram devagar e foram progredindo aos poucos. Aos trancos e barrancos as coisas foram se estabilizando, fui trabalhando e percebendo a relação das pessoas umas com as outras e fui me interessando, fui ficando curioso. Fui conversando com um amigo que tinha feito o curso, ele me passou uns livros e comecei a ler e ficar bem inteirado. Surgiu a oportunidade de fazer a faculdade de psicologia e fui. Arrisquei tudo, e foi a melhor coisa que eu poderia ter feito, e hoje eu tenho certeza disso.

HMB: Você acredita que a música atua de forma positiva na condição psicológica das pessoas?
Daniel: Acredito sim, a música tem essa capacidade. Não acredito em uma musica ou estilos específicos para todas as pessoas, como algo determinado, mas sim em qual o sentido a pessoa atribui àquela melodia ou estilo, fazendo com que para ela aquela musica funcione de forma positiva ou não, entende... 


HMB: Conte como foi essa união para a realização do Metal Bastards Union, e fale-nos o que você pensa sobre esses coletivos de bandas, visando melhorar a qualidade dos shows.
Daniel: Cara, eu acho muito valido, saca. Quando pensamos em nos mobilizaar, foi por que aqui na região a situação estava preta, se é que me entende. Aqui na cidade, sempre apoiamos o evento, emprestávamos equipamentos, chamávamos o publico, agitávamos para que desse certo. Nunca recebemos nada, no máximo um lanche ou uma cerveja. Beleza, tínhamos a proposta de incentivar a o movimento underground na cidade. Daí, começamos a perceber que as bandas que vinham de outros lugares tinham ajuda de custo, na maioria das vezes cache e para as bandas da região, NADA. Então, conversando com nossos amigos de outras bandas vimos que essa situação se repetia em outras cidades, com outros produtores, cara teve uma hora que o caldo entornou, não teve mais como fingir que nada estava acontecendo. Decidimos romper com esse esquema. Nisso tivemos essa reação da galera da Monstractor e da D'FRONT SA, que foram os irmãos que embarcaram nessa conosco. Em agosto de 2013 fizemos o 1º MBU, em Resende, e foi muito bacana. Vimos que dá para se fazer os eventos sem a necessidade de produtores desinteressados na cena underground e preocupados unicamente com os bolsos, tá ligado? Ainda temos uma grana em caixa para fazermos o segundo (risos). As bandas tem que começar a visualizar também essa possibilidade de montar os eventos, entende. Como qualquer forma de movimentação eu acho valido esse reivindicar de direitos, sabe. Aquele velho lance de em poucos somos fracos e em muitos somos fortes, entende. Mas claro que, não é um movimento contra os produtores, pois existem bons produtores, mas sim aqueles que zoam com o movimento e ainda sujam o nome desses que se empenham em fazer um bom evento. Temos que prestigiar a galera que faz um bom trampo, não podemos ser hipócritas, tem que se saber separar o joio do trigo. 

HMB: E em um coletivo como esse de vocês, tudo é dividido igualmente entre as bandas, sejam os lucros ou os prejuízos?
Daniel: Tudo! Tudo é dividido. Se for para comer o filé, ou roer o osso, não tem problema o foco é o evento, é o mantenimento e a fortificação da cena, entende. O lucro não é e nunca foi o importante, tendo como bancar o evento, pagar as bandas, tem uma estrutura boa para ambos os lados (bandas e publico) é o principal (risos).

HMB: Sempre pergunto as pessoas aqui no blog, se um coletivo de bandas, como este de você seria válido. E fico feliz de que agora temos um exemplo, de que a coisa funciona sim, desde que levada com seriedade. Você acha que o futuro das apresentações de bandas autorias deverá ser com esse conceito?
Daniel: Cara, como única forma não. Temos que levar em conta que existem bons produtores, com visão do que seria um bom evento, com noção de estrutura, que sabem trabalhar e eles merecem todo o crédito pelo trabalho que fazem. Agora, com certeza é uma forma nossa de movimentar a cena, é uma responsabilidade de cada banger sair do quarto e lutar pelo que é seu, entende. Então, eu vejo desta forma até porque tenho que mostrar meu trabalho. Sou membro de uma banda underground, suamos a vera para compor e gravar nossas faixas e produzi-las, não tem como ficarmos estagnados e esperando por convites para tocar. E essa é uma saída. Claro que nem tudo são rosas, né mano?  Organizar um evento, em meio de trabalho, banda, família, namoro e outros compromissos, se faz complicado, pois é algo que toma muito tempo tanto na execução quanto no planejamento...  

HMB: Qual é a sua visão do cenário da música pesada no Brasil?
Daniel: Cara, em relação às novas bandas eu tenho curtido bastante, cada vez mais profissionais, com o material cada vez melhor, produção maneira e tal. Estou sempre procurando. Agora em relação a espaço para mostrar seu trabalho não vejo muito não, para ser muito sincero quase nenhum. O publico existe, a cena existe, o espaço que é foda (risos).


HMB: Como você usa a Internet para a divulgação do seu trabalho?
Daniel: Cara a internet é um grande veiculo de divulgação, não há mais duvidas. Nós trabalhamos com a acessória da Sunset Metal Press, que faz um trabalho excepcional nesse ponto. 

HMB: Sendo assim, você acha imprescindível o trabalho de uma assessoria de imprensa, visto que este tipo de serviço acaba por tirar das costas do músico a divulgação de notas, podendo assim, se concentrar mais em compor ou tocar?
Daniel: Acho que o auxilio acessória de imprensa é imprescindível para a profissionalização da banda, mesmo que no underground. A acessória te faz ter uma visibilidade maior, coisas que talvez a banda sozinha não consiga, entende. Mas que ao mesmo tempo, a banda não deve se desresponsabilizar sobre as divulgações, mas sim trabalharem juntos, é um aprendizado muito bacana. E de fato, dividir esse "fardo" te deixa mais livre para se concentrar nas composições, shows e gravações.

HMB: Mesmo o Brasil sendo um celeiro de bandas e músicos criativos e virtuosos, o público muitas vezes não dá espaço, ou não vê mesmo o talento, Essa persistência e crença no trabalho a que você se refere, acaba sendo um caminho que todos têm que trilhar, ou um músico que persiste em ter uma carreira internacional, acaba sendo um candidato mais forte a ver a luz no fim do túnel?
Daniel: Assim, vejo que todos os que deveriam trilhar são aqueles que almejam algo mais do que uma banda de garagem. Agora, quando você fala de um "musico que persiste em ter uma carreira internacional", vou aproveitar dessa frase para ser meu exemplo (risos). Esse que vislumbra um mercado internacional, ele se implica mais, se dedica mais ao teu sonho e tua ideologia, certo? Automaticamente, percebo que ai pode ser um candidato provável a crescer sim, mas sempre através do teu próprio esforço.


HMB: Planos para o futuro?
Daniel: Sim, sempre (risos). Em um curto prazo, esperamos conseguir gravar o nosso single "Escória", essa que será a nossa primeira música com letra em português. Até o final do ano esperamos ter a gravação de mais um full planejada, tentar movimentar show por São Paulo ou Minas Gerais, comprar uma vaca e se tudo der certo conquistar o mundo (risos).

HMB: Resuma Daniel Ávila em uma palavra ou frase.
Daniel: Headbanger!

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para nossos leitores.

Daniel: Opa, mas já (risos)? Cara, eu que agradeço imensamente a oportunidade de vir aqui mostrar o trabalho da STODGY, nossas ideias, nossa visão sobre o mundo underground. Agradeço demais a rapaziada que curte nosso som, a galera que prestigia os eventos, aos que fazem realmente o movimento acontecer, ao pessoal da Sunset e claro a vocês do HM Breakdown. Quem não conhece nosso trabalho, pode acessar nosso soundcloud.com/stodgy-band ou nosso canal oficial no YouTube onde estamos postando nossos diários de ensaio sobre esses novos materiais. Obrigado a todos e thrash till death!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ton Cremon, Classic Rock e bom humor...


Ton Cremon é um cara muito apaixonado por música e com uma história de vida toda ligada a notas, compassos e ritmos. Influenciado pela família, desde pequeno se aventurou nos palcos e se tornou um músico e cantor espetacular. Agora, assumindo a linha de frente de uma das mais consagradas bandas de Classic Rock brasileira, a King Bird, Ton encara o desafio com honestidade e com a competência de sempre. Confiram!

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Ton Cremon: Bom, quero iniciar agradecendo o convite de poder falar um pouco de mim aqui para o blog, e dizer que estarei sempre a disposição!
Sempre fui um cara envolvido com a música, desde muito pequeno. Meu pai sempre foi muito musical e em casa nunca deixou ter de ter instrumentos musicas, seja ele qual for!
Tinha violão, amplificador, muitos instrumentos de percussão.
Lembro-me de uma passagem engraçada, eu devia ter uns dois ou três anos de idade, estava vendo TV quando começou passar um clip do Kiss da musica I Love it Loud, corri para o meu quarto, peguei um cavaquinho do meu pai, que para mim na época era do tamanho de um violão (risos) e fiquei na frente da TV imitando os movimentos daqueles cabeludos maquiados, sem entender muito bem o que eu estava fazendo (risos)!
Só fui ter um contato real com a música aos 15 anos de idade!
Nesse meio tempo eu me dedicava fielmente em ser fã da banda de um dos meus tios, que tocava bateria e ensaiava aos domingos na garagem da casa da minha avó!
Eu olhava e prestava atenção em tudo! Sabia quem acertava e quem errava as músicas! Estava presente, também nos estudos do meu tio quando ele voltava das aulas de bateria!
Assim sendo, eu comecei a tocar na bateria dele sempre que eu tinha uma oportunidade!
Nessa mesma época, meu pai com os "rolos" que ele fazia, chegou a ter dois órgãos daqueles de igreja em casa!
Ele se iniciou nas aulas para aprender a tocar o órgão e toda vez que ele chegava das aulas e ia treinar, lá estava eu, prestando atenção em tudo que ele fazia, em todas as notas que estavam sendo tocadas.
Ele terminava os treinos e eu começava os meus (risos), abria o livro dele de partitura, eu não lia nada, só achava que aquilo tinha que ficar aberto (risos)! E tocava tudo àquilo que ele acabara de treinar, eu apenas ouvia o que ele fazia e depois sentava lá e tentava caçar todas aquelas notas que estavam na minha cabeça!
Voltando aos meus 14 pra 15 anos. Estava no primeiro ano do colegial quando ficamos sabendo que a nossa escola estava inscrita num concurso de bandas intercolegial de Santo André!
Na hora que eu fiquei sabendo, corri pra contar pra um amigo de longa data e também um grande guitarrista sobre a novidade e claro, me convidar pra tocar com eles!
Eu queria tocar guitarra, já tinha um pouco de noção, além do que, eu já tinha uma guitarra Tonante e um amplificador Frham, graças novamente aos rolos de meu pai (risos)!
Fui pego de surpresa ao saber que ele já sabia do tal concurso e que a banda já estava praticamente formada, com dois guitarristas, baterista. Só faltava alguém pra cantar!
Eu, que nunca tinha cantado, a não ser no chuveiro, prontamente me candidatei para a vaga, mesmo com desconfiança desse meu amigo que me conhecia desde os meus 5 anos de idade  e nunca tinha me visto cantar (risos)!
Consegui a vaga, participamos do concurso e milagrosamente ganhamos uma bolsa de estudos de uma escola de música! Iniciei assim meus estudos em técnica vocal no ano de 1997
Não tinha ideia que eu podia cantar, me apaixonei logo na primeira aula!
Até 1999 eu praticamente só estudei técnicas vocais, não toquei com nenhuma banda, estudava no período noturno e praticava canto quase que o dia inteiro!
Em 1999 formei minha primeira banda, a Casa do Rock (Classic Rock), com quem toco até hoje!
De lá para cá as coisas só aumentaram, acredito que tomaram um rumo natural, evoluí muito como cantor e recebi vários convites, sempre na linha Classic Rock, que é o som que eu mais me identifico!
Devido ao fato da minha voz ser um tanto versátil, hoje em dia eu tenho alguns trabalhos bem diversificados na Linha Classic.
Faço cover's como, Led Zeppelin, Deep Purple, Creedence e The Cult.
O começo de 2014 pra mim foi muito bom, foi quando recebi o convite do Silvio para assumir os vocais da King Bird, banda que eu já conhecia e admirava! Conheci o Silvio na exposição de fotos de uma renomada fotógrafa de São Paulo, onde eu abri o show da banda dele de covers, ele gostou muito do meu jeito de cantar, trocamos os contatos e ficou por isso mesmo.
Assim que a banda precisou de um novo cantor, fiquei muito feliz em saber que o meu nome foi lembrado e que encabeçava a lista!
Aceitei o desafio e graças a Deus, hoje estamos dando continuidade nas gravações do quarto álbum da banda, sendo que o novo single já está praticamente finalizado e muito em breve estará disponível pra que as pessoas possam ouvir esse novo trabalho!


HMB: Que tipo de cuidado você tem hoje com sua voz?
Ton: Cuido na medida do possível! Como tenho muitos trabalhos, shows, ensaios e agora as gravações, tomo bastante água, estou quase enferrujando (risos)!
Evito alimentos muito gelados, evito! Não vou dizer que anulei isso na minha vida até porque é impossível! Além é claro de manter meus treinos em técnicas vocais e sempre fazer um belo de um aquecimento vocal antes de qualquer atividade.

HMB: Como se deu sua adaptação a King Bird? E como está senso o processo de composição com a sua entrada na banda?
Ton: Está sendo bem tranquila minha adaptação, eles são muito divertidos, me deixando a vontade para trabalhar, como eu toco violão e guitarra, tenho que ter algum tempo pra decidir quais músicas eu vou poder tocar também!
Quanto às composições, ainda estou focado em gravar as músicas que já estavam encaminhadas, mas sei que não teremos problemas, eles são muito profissionais!

HMB: E o que você pode nos dizer desse novo material?
Ton: Posso adiantar que as músicas estão muito bem produzidas, talvez um pouco mais "hard" do que os álbuns anteriores, é bem provável que nessa semana já estará disponível nosso single pra galera conferir!

HMB: Como você vê o cenário musical brasileiro hoje?
Ton: O cenário não é ruim! Acredito que o problema maior venha do próprio público, que deixou de entender e digerir o som autoral.
Tínhamos uma cena muito forte aqui nos anos 80, foi muito bom pras bandas, mas a geração mudou e pelo visto, veio um pouco mais "preguiçosa" no sentido cultural mesmo! Não temos mais nenhum movimento de expressão como antigamente, como os Headbangers, Punk's etc. Acho que a galera se acomodou com as bandas covers e ali ficou!
Temos hoje muitas bandas autorais de excelente qualidade tocando por aí tendo que mesclar um repertório cover nos seus shows pra poder agradar a galera, eu acho isso lamentável.
Dizem que é por culpa das casas de shows que não abrem espaço, mas acredito que se o público pedir, se quiserem, realmente ouvir algo novo, a coisa muda! Mas repito; a cena não é ruim!

HMB: Você acha que o brasileiro está perdendo o interesse pelas bandas autoriais?
Ton: Hoje em dia o mundo é baseado no comodismo, não acho que as pessoas perderam o interesse, só acho que elas preferem ouvir o que já conhecem, do que buscar algo novo!
Elas só vão se interessar realmente se o "novo" chegar até elas, pra isso temos que nos utilizar dos benefícios da internet!


HMB: Planos para o futuro?
Ton: Sim, tenho vários plenos para o futuro!
Isso é o que nos motiva a viver dia após dia, um dos planos é o de poder divulgar a King Bird no exterior!
Já temos alguns contatos e vamos correr atrás disso!

HMB: Resuma Ton Cremon em uma frase ou palavra.
Ton: Seria difícil pra qualquer pessoa se resumir em apenas uma ou poucas palavras, mas vou tentar (risos)!
Amo e tenho muito respeito pelo que faço!

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.

Ton: Aos leitores, deixo aqui o meu muito obrigado por dispensar um pouquinho do seu tempo pra conhecer um pouco mais sobre mim e sobre a King Bird, sei que são roqueiros e querem sempre algo novo e bom pra se ouvir, tenham certeza que vou me empenhar ao máximo pra trazer até vocês um grande disco de rock!!! Um grande abraço em todos.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Marcelo “Korujão” Ladwig, ...sempre sendo verdadeiro, sem sacanear, sem passar por cima de ninguém.


Marcelo “Korujão” Ladwig, baterista, já passou por inúmeras bandas como Exon, RRRAICT TUFF!!! Hoje, na King Bird, Marcelo dá vazão a sua veia Classic Rock, mas mesmo com a agenda atribulada de shows do Pássaro Rei, encontra tempo para tocar outros estilos e prestigiar o cenário da música pesada nacional. Confira tudo que ele nos contou no bate papo a seguir.


Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Marcelo “Korujão” Ladwig: Bom dia JP! Eu que agradeço pela oportunidade dessa conversa.
Bom, sou um trabalhador como qualquer cidadão comum.  Acordo cedo pra trabalhar e durmo tarde trabalhando. Sou músico e também mantenho outra profissão durante o dia. Mas o que interessa aqui é a música, então vamos lá.
Sou baterista desde 1987. Comecei tocando sem estudo formal, foi na raça mesmo. Aprendi muito tocando com caras mais velhos. Minha primeira banda foi o Exon, que chegou a lançar um CD e fazer muitos shows e durou até 1996. De lá até aqui foram inúmeros trabalhos, inclusive fora do metal, tocando pop, reggae, e outras coisas. Passei pelo RRRAICT TUFF!!!, como o sr. bem sabe (risos). Uma banda hardcore/punk que teve uma boa repercussão nos anos 90, tendo a vossa ilustre presença. De 2000 a 2010 toquei no M-19, que foi um dos pilares do movimento punk no Brasil. Toquei no Salário Mínimo, outra banda importante no cenário nacional, e em diversas bandas de cover pela noite. Mais ou menos em 2000 comecei a estudar música formalmente, o que faço ainda com alguma frequência. Estou com a King Bird desde 2005. Preferi me afastar um pouco dos trabalhos cover, porque o desgaste estava sendo muito maior que a recompensa financeira. E desde que minha filha nasceu (há 1 ano e meio) preferi ficar mais tempo com ela. Hoje meu foco, além da King Bird, que é meu trabalho principal e que me consome mais tempo, também toco na banda Makinária Rock, e no Damagewar, com a qual voltei a tocar Thrash Metal depois de uns 15 anos. Foi bom saber que ainda tenho habilidade pra tocar uma música muito mais rápida e pesada.


HMB: Quais são as mudanças, que você vê no cenário Heavy Metal de 1987 para cá?
Marcelo: Acredito que a grande diferença seja que hoje em dia, praticamente não se vende mais discos. O grande público hoje, se contenta em ter apenas as músicas em formato digital, diferentemente da época em que nós ficávamos desesperados atrás dos vinis e passávamos horas ouvindo e lendo todo o encarte, ficha técnica, letras, agradecimentos, etc.
Os shows hoje são muito melhor estruturados, porém os locais são cada vez mais raros. Um bar ou outro abre as portas pras bandas autorais, a maioria das casas, só dão espaço para as bandas cover. Lembro que nos anos 80 rolavam muitos shows em colégios, hoje em dia não rolam mais. Também lembro que rolou um festival no antigo Teatro Mambembe durante um mês, às segundas e terças feiras e foram todos lotados. Parece que o público perdeu um pouco do interesse de ir a shows de bandas underground. E não se pode falar que as bandas atuais não são competentes. Há um grande revival de bandas que acabaram e voltaram, mas também tem muita gente nova fazendo muito som bom por aí.

HMB: O desinteresse do público, não seria porque há um inchaço no cenário? Afinal, pelo menos no Heavy Metal, todo mundo é músico ou pretende ser músico?
Marcelo: Esse pode ser um dos fatores, claro. Além disso, quem não é músico é jornalista, promotor de eventos ou exerce alguma outra atividade ligada ao meio. Mas também acho que de certa forma, se as redes sociais ajudam na divulgação de bandas, por outro lado também gerou certo comodismo. O cara abre o You Tube e assiste aos shows completos da banda preferida dele sem sair de casa. Até hoje eu vivo em buracos assistindo bandas de tudo que é estilo. Se eu não estiver tocando, fatalmente você vai me encontrar em algum lugar curtindo alguma banda. Esse entusiasmo eu cultivo desde que me envolvi com a música, e não é pelo fato de ser músico que não vou curtir o trabalho de outros músicos. É claro que temos que estar antenados, nas mudanças, isso é inevitável. Eu também uso essas ferramentas digitais, assisto muita coisa na internet, mas não deixo de ver ao vivo. 


HMB: Ainda tentando explorar o pensamento. Então no cenário Underground, como todo mundo está envolvido com alguma atividade, relacionada á música, pode ser que sejamos uma nação de concorrentes e não de fãs?
Marcelo: De maneira alguma. O rock é uma música cativante e empolgante, que faz nascer uma vontade de participar, além de ser fã. Em geral tem disso, o garoto começa a ouvir e imediatamente se identifica, querendo tocar como seu ídolo. Isso faz com que, além de fãs, sejamos contribuintes da cena. Tocamos, escrevemos, organizamos, produzimos.
No âmbito profissional, como em qualquer área de atuação, isso acaba gerando uma concorrência, o que é muito natural, mas acredito que não seja uma regra. 

HMB: Recentemente, houveram mudanças na King Bird ultimamente, conte-nos tudo que está rolando com a banda agora.
Marcelo: Sim. A formação vinha atuando junta há nove anos, mas o João Luiz resolveu seguir outras propostas de trabalho. A nós coube apenas respeitar e apoiar a sua decisão e correr atrás do prejuízo (risos).
De imediato nos reunimos para dar seguimento ao trabalho e recrutar um novo cantor. Já estávamos com toda a parte instrumental gravada para um novo álbum e  não foi muito difícil escolher o Tom Cremon pra assumir o microfone do pássaro, afinal o cara é um grande talento e chegou com muita vontade de contribuir. Ele já está plenamente adaptado e pronto para entrar em estúdio e registrar os vocais das onze faixas do novo álbum, que esperamos que esteja pronto no segundo semestre. Além disso, já houve a de estreia dessa nova fase. Dia 28 de junho no Sesc Belenzinho, aqui em São Paulo, a partir daí esperamos continuar fazendo shows, que é o que mais gostamos.


HMB: E como foi encontrar um novo cantor? Pelo visto vocês já o conheciam, ou pelo menos não ouvi nada a respeito de você terem feito audições com outras pessoas.
Marcelo: Nós já o conhecíamos sim, através dos outros trabalhos dele. Foi tudo muito rápido. Assim que o João saiu começamos a nos organizar pra continuar o vôo. Tínhamos uma lista com uns quatro ou cinco nomes e colocamos em ordem de prioridade. O Tom foi o primeiro e como rolou muito bem,  já fechamos. Não quisemos ficar fazendo audições. Como já sabíamos o que queríamos, fomos direto ao assunto, e se não desse certo com ele por qualquer questão,  com certeza teria dado com os outros nomes que tínhamos, que são todos muito competentes. Na real nós sentamos, conversamos e batemos o martelo. Marcamos uma sessão de fotos e divulgamos a notícia. A certeza de que estávamos no caminho certo era tão grande que a última coisa que fizemos foi cair para o estúdio pra tocar (risos).

HMB: Qual é a grande sacada para que uma banda, como o King Bird, tenha longevidade e se mantenha sendo relevante para o cenário?
Marcelo: Acho que vários fatores contribuíram a nosso favor.
Somos amigos desde antes de a King Bird existir e já havíamos tocado juntos em outros projetos. Essa amizade perdura até hoje e com a experiência aprendemos a respeitar sempre as opiniões de cada um. Sempre mantivemos um direcionamento e foco no trabalho da banda, mesmo que cada um de nós tenha gostos distintos. Eu, por exemplo, ouço muito Hardcore, mas nunca iria querer tocar um The Exploited dentro da King Bird. Também temos grande apoio de nossas famílias, amigos e fãs. Sem esse apoio não sei se conseguiríamos atravessar tantos desafios. E o fator mais clichê, e o mais verdadeiro: somos loucos e apaixonados pelo que fazemos. A última formação, como falei, atuou junta por nove anos, e agora estamos começando uma fase que espero que dure pelo menos mais uns 30 anos, se assim Deus permitir (risos).

HMB: Essa diversidade de gostos acaba influenciando nas composições, mesmo que sua música não siga a linha do The Exploited, por exemplo?
Marcelo: Somos um imã de influências (risos). Antes da King Bird eu vinha de uma fase em que explorava muito o uso de bumbo duplo e tive que aprender a segurar o ímpeto pra não poluir demais as músicas, mas você vai perceber que os bumbos estão lá, muito discretamente, mas estão. Se ouço uma música com uma frase de batera a mil por hora, provavelmente ela não caberá no contexto da King Bird, mas nada impede que eu a adapte e encaixe em algum lugar da música. Da mesma forma, uma música latina que é riquíssima em ritmos. Muitas vezes o público não percebe isso, e às vezes nem os companheiros de banda (risos). Digo isso sob o ponto de vista do baterista, mas vale também para os outros músicos. 


HMB: Então, as possibilidades de ter um vasto leque de influências, seja benéfica não apenas para a King Bird, mas para as outras bandas em que você toca?
Marcelo: Sem dúvida que sim. Tudo é uma questão de bom senso. E o meu próprio trabalho dentro da King Bird, acaba influenciando a forma de abordar as músicas do Makinária e do próprio Damagewar. Claro que sempre respeitando as particularidades de cada banda.

HMB: Você toca em três bandas com sonoridades diferentes, está seria a forma que você encontrou para colocar para fora todo a sua bagagem musical?
Marcelo: Não foi proposital, mas se parar pra pensar, acho que naturalmente foi isso mesmo que aconteceu. E dentro dessa linha, também gosto de mudar todo o posicionamento do meu kit de batera, adaptando pra cada trabalho. Eu sempre tenho estilos diversos dentro do meu player. No mesmo dia ouço Bad Company, Pantera, Lynnyrd Skynyrd, Havoc, Gbh, Exodus, MC5, Deep Purple, etc. É natural pra mim, querer tocar um pouco de cada coisa que escuto. Ou seja, ainda está faltando desenvolver outros projetos.

HMB: E falando no seu player, qual a banda que quando você ouve, dá vontade de sair correndo e gritando na rua?
Marcelo: Difícil hein!  Eu não conseguiria citar apenas uma. Mas sempre ouvi muito Lynyrd Skynyrd, Exodus, Van Halen, Black Sabbath, Dorsal, Judas Priest. E mais recentemente tenho pirado com Black Country Communion, Chickenfoot, Havoc e Suicidal Angels. Não saio correndo e gritando, mas que me dá uma vontade enorme de abrir uma cerveja pra acompanhar, disso você pode ter certeza. 

HMB: Você pratica algum exercício para manter a forma, e tem alguma dica que possa dar para quem está começando a tocar bateria?
Marcelo: Como eu comecei a estudar muito tarde, tenho que correr atrás. Meus estudos dependem muito do que estou fazendo no momento. Se tenho muitos shows estudo menos. Quando tenho mais tempo estudo mais, tenho aulas com o Vanderlei dos Santos, um cara que me ensinou muita coisa. Diariamente faço exercícios na velha borrachinha. Às vezes em frente à TV enquanto assisto a um jogo do Timão ou, outro programa qualquer, fico ali praticando rudimentos com o metrônomo ligado. Pratico leitura, solos de caixa marcial, stick control e outros fundamentos. Quando tenho mais tempo pratico na própria bateria, aí adiciono o estudo de pedal duplo, toco músicas em playback e ritmos variados. Hoje eu percebo o quanto perdi em não ter estudado quando comecei a tocar. Por isso, acho que não sou muito indicado pra dar uma dica, mas já que você pediu, minha dica é: estude muito, toque muito, se dedique e não desanime. A velocidade é o menos importante no início, procure ter toques limpos em primeiro lugar e você vai atingir a velocidade naturalmente. Hoje temos boas opções de vídeo-aulas, mas principalmente no início, um professor de confiança e indispensável.


HMB: Planos para o futuro?
Marcelo: Na real não sou de ficar fazendo muitas projeções para o futuro, deixo o vento levar e procuro curtir o que estou fazendo do momento. Mas de imediato pretendo continuar tocando com minhas bandas, gravando e lançando bons trabalhos. O primeiro ato é esse show de estréia do Tom na King Bird, e o segundo é a finalização do novo álbum. Como sempre, prestigiar ao vivo as bandas que eu curto e comprar seus CD's.  É a minha maneira de colaborar com a cena, sempre sendo verdadeiro, sem sacanear, sem passar por cima de ninguém.

HMB: Resuma Marcelo “Korujão” Ladwig em uma palavra ou frase.
Marcelo: Difícil falar de si mesmo (risos).  Sou um cara da música, que vive pela música e ama a família e amigos. Não sou o Pelé, mas faço meus golzinhos. Pingou na área é caixa.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Marcelo: Eu que te agradeço pelo espaço. Somos amigos de longa data, já tocamos juntos e espero que um dia possamos fazer algo de novo (Tá vendo? Isso é um plano pro futuro (risos).
Agradeço aos leitores que perderam um pouco de tempo aqui lendo essa conversa, aos fãs da King Bird, que são importantíssimos sempre, e em especial nesse momento de transição. O rock está muito vivo e vejo que apesar de ter ficado um pouco mais no underground, os fãs dessa música estão sempre surgindo. É possível juntar num mesmo palco, músicos da década de 70 e novos músicos. Ou seja, estamos vivos e ainda vamos fazer muito barulho.
Long Live Rock'n Roll!

Grande abraço a todos!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amilcar Christófaro: ... ter visto o Max (Kolesne) tocando blast beat na frente foi um impacto muito grande...


Amilcar Christófaro, baterista de uma das mais influentes banda brasileira. Além de provar a cada compasso que é sim, um dos grandes bateristas desde país. Neste bate papo, Amilcar falou sobre sua paixão pela bateria, de sua banda e sobre o cenário brasileiro da música pesada. Confira a seguir.

Heavy Metal Breakdown: Antes de tudo, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, nos fale sobre você e suas atividades.
Amilcar Christófaro: Olá! O prazer é meu de estar falando com o Heavy Metal Breakdown. Minha vida basicamente é feita de ensaios, shows e aulas, pois dou aula de bateria também. Estamos divulgando nosso novo disco "Esquadrão de Tortura" e a agenda de shows tem crescido bastante.

HMB: Como você se tornou baterista e quais foram suas maiores influências?
Amilcar: Acho que esse caminho ia ser uma coisa natural na minha vida. Meu pai foi baterista na década de 1960, tinha sua banda, os The Four Boys, e tocava em bandas de baile também. Aliás, ele sempre me disse que gravou um disco com os The Jet Blacks, um disco que chama Twist. Fora ele, meu irmão mais velho também começou a tocar, comprou uma Gope de set básico e deixava no nosso quarto, isso no começo da década de 90. Então quando ele ia trabalhar, eu sentava na bateria e tentava tocar alguma coisa, até que um dia minha mãe escutando da cozinha, falou pra mim "Mi, você tem ritmo, você leva jeito pra tocar, eu escuto o ritmo certinho quando você toca!" e nessa mesma época eu tinha uma paixão fulminante pelo skate. Queria ser skatista profissional, aliás, mas de tanto ir tocando, e ao mesmo tempo conhecendo bandas, curtindo mais Rock, Metal, acompanhando a banda do meu irmão de perto, eu fui entrando nesse mundo e naturalmente largando o skate.
No meu começo na música pesada as influências eram variadas e era mais da música em si e não de bateras, depois que eu comecei a ter meus bateras de grande influência mesmo, como Neil Peart, Dave Lombardo, Mike Portnoy e etc... Ter visto o Max tocando blast beat na frente foi um impacto muito grande porque até então eu conhecia Morbid Angel, Deicide, mas nunca tinha visto alguém tocar aquela levada agressiva de caixa que não para, que a gente chamava simplesmente de Death Metal, nem sabia que era blast beat.
As influências mais fortes continuam sendo deles, mas com certeza, todas as bandas que eu me apego vira uma influência forte também, como Death (Gene Hoglan), King Diamond (Mikkey Dee) Queensryche (Scott Rockenfiled), Morbid Angel (Pete Sandoval) Sepultura (Igor Cavalera), Metallica (Lars Ulrich) e por aí vai...
Com o tempo conheci bateras de outros estilos como Buddy Rich, Billy Cobham, Thomas Lang, que de alguma forma entram no meu hall de influências também.


HMB: Percebe-se que você tem um leque enorme de influências e que gosta de vários estilos musicais. Você acha que essa variedade é importante para a formação do músico?
Amilcar: Depende o que cada pessoa busca. Conheço músicos extraordinários dos dois lados, tanto aquele que sempre teve aquelas mesmas influências e ficará assim eternamente e outros que, com o passar do tempo, vão naturalmente adquirindo outras influências para somar e enriquecer ainda mais o seu trabalho. Eu faço parte desses que mantem as influências intactas, que a estrutura nunca irá mudar, mas que mantem a porta aberta para novas influências de bons músicos e boa música. Mas é claro que por essa porta só entra se for coisa boa, se não, sem chance (risos).

HMB: O que você acha das produções de baterias aqui no país? Você sempre conseguiu os timbres que desejava para seus discos?
Amilcar: Sempre achei bacana. Principalmente as bandas que tem os bateras que tem um estilo legal e próprio, isso fica caracterizado no som da batera porque se preocupam com o som e deixa a originalidade da banda mais nítida ainda.

HMB: Sobre o Esquadrão de Tortura, porque um título em português?
Amilcar: Depois de um tempo trabalhando nas letras do disco, conhecendo mais sobre a história da época da Ditadura Militar no Brasil, me pareceu que o nome da banda em português, cairia como uma luva, como título do disco. Fora isso, também serviu para que as pessoas de fora do Brasil soubessem de vez que a banda é brasileira, pois vai ver que o título é em outra língua, e essa língua é o português e inevitavelmente irão associar. Sem falar que nunca tínhamos tido um disco com nome em português então, isso foi mais uma das coisas, que envolveu esse disco, que foi inédito na carreira da banda.


 HMB: E como você se sentiu trazendo essa "brasileiridade" para o Torture Squad?
Amilcar: Foi bacana. Embora a história não nos remeta a tanta felicidade, o fato de estarmos falando sobre algo que aconteceu e é importante na história política do nosso país, foi significativo pra nós.

HMB: Como você vê o conteúdo lírico das bandas brasileiras? Acha que o brasileiro tem uma forma diferente de se expressar através da música?
Amilcar: Percebo que na maioria das vezes as letras são bem duras, na cara, contando e despejando indignação sobre essa falta de respeito que a gente vive no nosso país que já virou rotina. Aliás, não tem como ter outra coisa pra falar né? O brasileiro já está acostumado a viver essas coisas absurdas porque a politicagem do Brasil é tão imunda, trata o povo como lixo há anos, que todos já nem sabem o que fazer para melhorar, a não ser fazer a nossa parte como cidadão. Dá vontade de chegar a Brasília com uma bazuca pra dizimar todos os políticos e começar do zero, mas muita gente é do bem e tem muito a perder para se comprometer a fazer algo radical desse tipo e se tornar um mercenário inteligente, então o que sobra para nós que temos a nossa arte, é naturalmente vomitar tudo isso nas letras e continuar fazendo a nossa parte como cidadão. Até começar a entrar pessoas normais na politica brasileira, pessoas que fazem com que com valores normais do ser humano como honestidade, valor ao próximo, hombridade dá lugar a desonestidade, ganancia, covardia e sem-vergonhice, que é o que predomina hoje.

HMB: Como você vê os incentivos culturais de nossos governos a arte e cultura em geral?
Amilcar: Vejo que tem crescido bastante, mas conversando com amigos de banda ou pessoas que tem mais contatos com prefeituras, tanto da capital quanto do interior, percebo que ainda rola uma descriminação com o Metal. Na Virada Cultural mesmo, é na cara. Você vê bandas gringas, bandas brasileiras de outros estilos sempre tocando, todo ano, em vários palcos, ganhando cachês absurdos, enquanto as bandas da verdadeira cena Metal brasileira não tem a chance de tocar ganhando um cachê justo também, ou seja, é o que a gente sempre ouve falar, para tocar nesses lugares você tem que entrar em alguma panela, ou máfia como dizem também, para se conseguir alguma coisa porque na honestidade e no merecimento, que é como acontecem às coisas normais, dificilmente rolará. É um reflexo do que é o país como um todo, por isso do nosso grande foda-se pra tudo e pra todos e continuamos a nossa vida, sem que a nossa música precise desse tipo de gente.


HMB: E na questão dos shows, você percebe um esvaziamento nos shows de bandas autorais?
Amilcar: Sinto que continua a mesma coisa de tempos atrás, pelo menos a nossa realidade é essa. Nosso público está lá como em todos os anos. E vejo muitas bandas tocando que estão construindo um grande público ou mantendo o que conquistou.  Posso citar de exemplo o Claustrofobia, Project 46 e o Nervochaos.

HMB: Mesmo o Brasil sendo um celeiro de bandas e músicos criativos e virtuosos, o público muitas vezes não dá espaço, ou não vê mesmo o talento, Essa persistência e crença no trabalho a que você se refere, acaba sendo um caminho que todos têm que trilhar, ou um músico que persiste em ter uma carreira internacional, acaba sendo um candidato mais forte a ver a luz no fim do túnel?
Amilcar: Com certeza a persistência, paixão e um pouco de originalidade na sua música são coisas que chamam a atenção das pessoas com o passar dos anos, pois elas veem que você realmente tem algo artístico para expressar, mas no Brasil eu acho sim que, para uma parcela do público, se você fizer um bom trabalho e obter reconhecimento fora do país, você automaticamente cresce aqui também. Em época de copa do mundo posso traçar um paralelo com jogadores de futebol por exemplo. Hoje tem jogadores na seleção brasileira que nem jogaram direito no Brasil e já foram para fora do país muito novos, mas só por terem conquistado um grande espaço em times fora do país e a atenção mundial, o povo brasileiro vê eles de uma forma mais grandiosa. Parece que para essas pessoas o OK dos gringos já é o bastante pra ele saber que é bom ai sim ele se interessa. Muitas vezes parece ser dessa forma. Mas lembrando do que falei, somente para uma parcela do público, pois tem outra que é muito sábia e verdadeira e não espera ninguém dar OK por ele mesmo, ele vai atrás e vê se é bom ou não e fim de papo.

HMB: Como foi participar como convidado do debut da banda Nervosa? E o que você achou da escolha de Pitchu Ferraz?
Amilcar: Foi um prazer. A Nervosa é uma grande banda feita de grandes pessoas e bangers de verdade, sendo assim, as músicas são honestas. Foi uma honra tocar com elas e fiquei muito feliz em tê-las ajudado e que deu tudo certo com a Pitchu. Ela simplesmente é perfeita para banda, nasceram para tocarem juntas. Admiro a Pitchu como pessoa e batera, e na minha opinião, ela só veio pra dar mais poderio ainda a banda.

HMB: Como está sendo atuar como um trio? Vocês não cogitaram em nenhum momento colocar outro vocalista na banda?
Amilcar: Não cogitamos, não! Em nenhum momento. Estamos nos sentindo muito bem como trio e enquanto o André estiver se sentindo bem cantando e tocando é assim que vamos ficar.


HMB: Planos para o futuro?
Amilcar: Continuar trabalhando. Ensaiando bastante como sempre, fazer o máximo de shows possíveis para divulgar o Esquadrão de Tortura e continuar compondo para o próximo disco.

HMB: Resuma Amilcar Christófaro em uma frase ou palavra.
Amilcar: Obstinado

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Amilcar: Eu que agradeço pelo papo legal e a oportunidade de divulgar um pouco mais meu trabalho. Tudo de bom pra todos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

João Pedro “Jilão” Oliveira,, a musica vai além das notas, e as letras vão alem de um texto...


João Pedro “Jilão” Oliveira, guitarrista e vocalista da banda Terra Santa, que pratica uma mistura bem inusitada de Reggae e Death Metal. Estranhou? Eu também, mas depois de ouvir o trabalho dos caras e verificar na fonte que por mais estranho que posso parecer, a banda consegue sim, unir os dois estilos e ainda fazer um trabalho digno de nota e atenção. Jiláo nos concedeu esta entrevista e deixou claro porque dessa mistura e diversos outros assunto muito interessantes, confiram!

Heavy Metal Breakdown: Antes de tudo, obrigado pelo seu tempo e pro nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, nos fale sobre você e suas atividades.
Jilão: Olá JP, primeiro fica aqui também o nosso muito obrigado pela oportunidade. Bem, Somos a Terra Santa, uma banda de Thrash/ Roots/ Goove Metal de Miguel Pereira, região serrana do Rio de Janeiro. Começamos a banda em meados de 2011 e de lá pra cá já gravamos um álbum com 12 faixas e estamos caminhando para o segundo, buscando sempre evoluir a banda sem perder as raizes da porradaria.

HMB: Conte-nos um pouco sobre a Terra Santa.
Jilão: Terra Santa é uma banda de Thrash/ Roots Metal com fortes influências no Reggae, na cultura e nas raízes brasileiras, a banda traz um som rústico e de grande peso, buscando sempre cultivar nossas origens e as verdadeiras atitudes a serem tomadas. Com o primeiro trabalho de estúdio já gravado, intitulado "NyahGrooves", o Terra Santa segue gravando seu segundo álbum, e trazendo em seus shows muita atitude, energia e peso, em um elenco de musicas que trazem, além das musicas autorais, clássicos como Sepultura e Megadeth.
Buscamos realmente unir estilos musicais e fazer algo irreverente no metal, que ninguém nunca tenha chegado a um ponto tão extremo de mesclagem como nós.
Bem, esse é o nosso release padrão (risos), mas assim, a Terra Santa é uma banda que nos deu e dá apesar de tudo, muitos bons frutos e trabalhos satisfatórios e aqui na nossa região, até que somos conhecidos, tocamos em eventos e a galera curte bastante. Aqui na nossa cidade as pessoas até cantam nossa canção "Morte Súbita" em coro nos shows e é muito maneiro, é um retorno em escala e dimensão muito menores, mais que nos causam grande satisfação, e acredito que até nos prepare e nos inspire para situações maiores e com maiores proporções, que é o rumo que estamos querendo tomar com o lançamento dos novos singles.


HMB: Porque mesclar a sonoridade do Death Metal com a Cultura Nyahbinghi?
Jilão: Sim. Não é porque é a minha banda, mas eu realmente acho que somos uma banda versátil e estamos fazendo algo realmente diferente e fora dos padrões comuns que se vê no Metal atual. Acredito que as pessoas sentem certa insegurança ou talvez até preconceito com nosso som, por mesclar culturas que "não tem ligação alguma". Mas quando as pessoas passam por essa barreira e escutam alguma musica nossa, muitas vezes se surpreendem e tem uma reação positiva, o que é muito bom! Tenho certeza que apesar dessa nova ideia que estamos tentando passar no Metal, ainda pouco conhecida, deixamos claro para quem ouve nosso som, que mesmo com a mistura de ideias e culturas, não perdemos as raízes nem a verdade dos nossos ideais e da nossa mensagem. Somos todos amantes do Reggae e da cultura que o rodeia, e principalmente, compomos e tocamos o que nós queremos, gostamos e acreditamos, e acho que esse seja o principal motivo de estarmos tão a vontade e satisfeitos com nossa música. A cultura Nyahbinghi é uma cultura muito antiga ligada à igualdade, prosperidade e, principalmente à vida! Somos uma banda de Metal extremo que enaltece a vida e os direitos iguais, somos totalmente positivos e tentamos alertar as pessoas da situação em que vivemos atualmente, principalmente no nosso estado, o Rio de Janeiro e lembrar a elas as atitudes que realmente deveriam ser tomadas. Tudo isso de forma violenta musicalmente, e pacífica idealmente. Buscamos fazer isso através de dois dos estilos musicais que mais representam uma verdade e um ideal, o Metal Extremo e o Reggae/ Dub.

HMB: Você não acha que a princípio, as pessoas vão estranhar essa sonoridade? Digo tanto do lado do Metal, quanto do lado do Reggae?
Jilão: Acho sim JP, na verdade a maioria das pessoas tem muito medo e repreensão pelo "diferente" em geral. Não considero a Terra Santa como uma banda de Reggae. Somos uma banda de Metal extremo e isso fica claro no nosso som. Mas somos três caras com um turbilhão de ideias 24 horas na mente, com varias influencias e por sempre termos ouvido muita musica, de todos os estilos, e julgado o que era bom pra nos, não queremos deixar nenhum tipo de criação ou ideia de fora das nossas composições, para nós, toda ideia é válida, não importa se está ou não no "padrão" das bandas do nosso estilo. Somos uma banda de Metal fixada no rastafarianismo, que é uma religião que admiramos de coração, e não somos os primeiros a fazer algo assim. Existem outras bandas pacíficas e diferentes no metal, com influências de estilos até parecidas com as nossas. Bandas como o próprio Sepultura no álbum "Roots", Soulfly, Eyesburn, enfim, já mesclaram de certa forma esses dois estilos musicais, mas realmente acho que não chegaram a um ponto tão extremo como nós. Talvez realmente sejamos uma banda complicada de compreender a principio, agora, os amantes de Metal extremo não tem motivos para não nos classificar nesse estilo musical, Nossa raiz da porradaria, está presente em tudo, inclusive em alguns reggaes que compomos e resolvemos gravar, que estão no nosso álbum "NyahGrooves". Quem quiser, é só conferir!

HMB: E como se dá o processo de composição da Terra Santa?
Jilão: Bom, a maioria das musicas é composta basicamente por mim, e depois se necessário, tem algumas coisas alteradas no baixo ou bateria de acordo com a ideia que os outros integrantes tenham em seu próprio instrumento. As letras também são todas minhas. Sempre que começamos a ensaiar alguma musica nova acabamos mudando muita coisa e deixando a musica com a cara que ela vai ficar, com a pegada individual de cada um, que acaba se unindo e dando a característica específica da nossa banda. Dê uns tempos pra cá, começaram a surgir mais ideias coletivas e nosso próximo álbum já tem musicas que foram compostas por toda a banda, coisa que não aconteceu no NyahGrooves. Nosso baixista, Lucas (Çuça), é parte muito importante nesse processo de criação também, ele é quem produz a banda, mixa e faz todas essas coisas e manda muito bem. Ele tem muitas influencias de Jazz e principalmente do DUB, e depois que as musicas estão gravadas, ele senta naquele PC e dá um molho legal nas canções, colocando elementos eletrônicos diversos e psicodelia, em meio a toda a porradaria do Metal.
Uso bastante o Guitar Pro no processo de composição, para escrever o "esqueleto" das musicas e não deixar nenhum resquício de ideia passar despercebido.


HMB: E quais são os temas que você abrange em suas letras?
Jilão: As letras falam basicamente de igualdade de direitos para todos, Críticas sociais (que apesar de ser um "clichê" de letras de Metal, no mundo em que vivemos hoje em dia é meio difícil não lidar com esse assunto), abominação a qualquer tipo de racismo ou preconceito religioso, cultural, ou qualquer outro. Nossa mensagem é: Se você é uma boa pessoa, tem bom caráter, lembre-se que existimos para vivermos juntos e em paz, não podemos deixar os hipócritas e canalhas controlarem nossas vidas e nossas atitudes. Vamos celebrar a união, a comunhão, viver de maneira simples e obtermos, cada um, sucesso físico e espiritual. Só continuaremos nossa evolução de onde paramos, quando aprendermos a viver unidos, com simplicidade e paz, e livre de preconceitos e lavagens cerebrais. Já passou da hora de a humanidade começar a consertar seus vários erros e ninguém parece se importar com isso, estão todos acomodados com tamanha hipocrisia, e nós escrevemos as musicas para alertar a sociedade.

HMB: Então você acredita que através da música é possível mostrar tanto o lado bom, quanto o lado ruim das coisas?
Jilão: Com certeza. Esse foi um ponto bom que você tocou. A grande maioria das bandas, principalmente de Metal, falam sempre sobre o lado ruim das coisas. Nós falamos sim, do lado ruim das coisas, mas também procuramos enaltecer o lado bom, que sempre existe, a luz no fim do túnel da esperança cada um. A música, em minha opinião, é o melhor veículo para passar uma mensagem, principalmente quando você toca e escreve com amor no que está fazendo. A música vai além das notas, e as letras vão além de um texto. Música envolve sentimento, e uma vez despertado esse sentimento em alguém, ele nunca mais vai embora. Fazemos nossas musicas e letras com muito amor, fé e esperança de estar ajudando a propagar uma ideia válida que possa ser boa para alguém.


HMB: Você acha que o ser humano precisa de melhores exemplos para se tornarem melhores? Ou vai da carga genética de cada um?
Jilão: Não somente exemplos. Os exemplos são uma maneira ótima de atingir alguém, porém, a verdade, é que infelizmente a maior fonte de "exemplos" que temos no Brasil hoje, são as redes de jornal e televisão, que sugam as famílias e crianças ao redor do país, introduzindo, mesmo que subliminarmente, hipocrisia e imundice, como qualquer um pode ver em reportagens e informações alteradas, cenas de novela, etc. Que parecem muito inocentes e responsáveis, mas em minha opinião, lá no fundo da consciência de cada um, acaba atingindo e alterando uma coisa muito importante que é a índole. Na questão da genética, não sei se é tão influente, pois seja você de qualquer crença, cultura raça, ou "classe social", o caráter e o verdadeiro sentido de estarmos aqui, vivos, já está embutido dentro de cada um de nós, desde sempre, resta é ter certeza e atitude para não deixar isso morrer dentro de você colocar em prática e tentar, despertar essa virtude, da maneira que você conseguir, passar isso para outras gerações, coisa que já vem sendo feita a muitas décadas, seja através da música, texto, vídeos ou qualquer outro meio, mas que para mim, até hoje não pareceu surtir efeito na grande maioria, maioria essa que assiste TV Globo e compra álbuns de sertanejo universitário da som livre, para ouvir enquanto enche a cara em uma festinha, ou fazendo uma putaria, sem pensar no que está por trás de tudo isso que os meios de comunicação ensinam que é bacana e "tá na moda", e em como isso afeta o país e a humanidade de maneira geral.


HMB: E você também acredita que com uma educação de qualidade, maior exposição a diferentes culturas e artes, as pessoas podem crescer e se desenvolver de forma mais... Humana?
Jilão: Certamente. É claro que o que a pessoa é, é totalmente influenciado pelo que ela viveu, pela educação e a qualidade de vida em todos os aspectos. Não acho que se deva vitimizar pessoas que fazem merda, que sabem que são erradas, por ela ser pobre ou algo do tipo. Mas também não creio que devamos condenar. Isso é um problema social, causado na grande maioria, pelo descaso do governo com todas as principais atividades que deveriam ser de primeira qualidade em qualquer país, como educação, saúde e cultura, e que infelizmente, são postas em segundo plano quando se trata de Brasil, quando se trata da galera mais humilde. E nas favelas, onde por mais que os moradores queiram uma qualidade de vida melhor, existe muita dificuldade em ter acesso ao que precisam, o que os torna, na grande maioria, os "monstros" e o "resto", como são classificados inconscientemente pela sociedade "perfeita", que inclui os mentirosos, canalhas, soberbos e ricos, que dão valor ao dinheiro acima de tudo, e não tem a menor ideia do que é sentir certas coisas na própria pele, por isso se acham no direito de julgar. Nosso próximo álbum, vai se chamar "População Chorume", está sendo gravado nesse momento e trata justamente sobre esse assunto.

HMB: Como você vê hoje o cenário da música pesada no Brasil?
Jilão: Bem, o cenário Underground do Metal, já teve seus anos dourados ao redor do mundo, e não é atualmente. Mas apesar disso, eu vejo sim, muitas bandas ótimas, verdadeiras e o principal, fazendo seu trabalho de maneira independente e conseguindo um lugar pra si. As grandes gravadoras não estão muito interessadas nesse estilo musical ultimamente, o que não impediu o cenário Underground do Brasil de continuar vivo, graças ao trabalho das bandas, e aos fãs de música pesada, que já tem o rótulo muito bem colocado de serem fiéis! Nós já tivemos a oportunidade de dividir o palco com bandas conhecidas do Rio de Janeiro, muito boas, como Orrör, Demolishment, e conheço uma galera de bandas Underground muito brabas e boas, como a Not Dead de Nilópolis. Isso me deixa muito alegre e faz eu não perder o tesão de acreditar nesse estilo musical, acredito que não importa o que nos imponham o que aconteça, o cenário do peso sempre vai estar ai, pra quem quiser conhecer. Um dos principais meios de propagar esse cenário, para mim, é com as bandas trocando ideia e perdendo um  pouco do seu tempo sim, ajudando as outras reciprocamente. Na verdade isso gera frutos muito maiores, em dimensões muito maiores. Quando você ajuda uma banda, você perde o tempo que poderia estar divulgando mais a sua, mas ajuda a manter um cenário que até hoje não conseguiram eliminar. Por mais que esse estilo de música sofra todos os preconceitos que sofre, todos nós que trabalhamos duro (e sabemos disso) para manter uma banda, mostramos a todos que estamos aqui sim, e para ficar, sempre!

HMB: As bandas, atualmente, reclamam muito da falta de espaço para shows de bandas autoriais. Estando em Miguel Pereira, como você vê essa reclamação?
Jilão: É uma reclamação que faz todo o sentido sim. As únicas bandas autorais que você vê hoje em dia com um espaço considerável nas mídias, são hipster, ou indies ou seja lá como quer que chamem. Muitas bandas também se sentem oprimidas para tocar canções autorais e caem nessa de fazer cover para poder mostrar seu talento, o que eu não acho bacana. Aqui em Miguel Pereira, até temos nosso espaço, pequeno, mas temos. É uma cidade ligeiramente pequena, com trinta mil habitantes, onde todo mundo acaba se conhecendo pessoalmente e se tornando amigo. Isso é bom, porque o fato da geral nos conhecer e parar no bar com a gente e tal, cria certa intimidade, pois grande parte do público dos festivais de bandas que rolam aqui são nossos amigos e nos dão a maior força, porque tem contato direto com qualquer novidade e música autoral da banda, não nos deixando em posições sem graça ao tocar nossas músicas autorais. Graças a Deus, em todos os lugares que tocamos músicas autorais, tivemos um ótimo resultado, mas infelizmente essa não é a realidade da maioria das bandas novas e independentes.

HMB: E na sua visão, qual seria a solução para este problema?
Jilão: A solução eu não sei te dizer, acho que no fundo essa repressão contra o Underground da "massa" acaba dando o intuito da parada, a magia. Porque é muito trabalho e muitas exigências para conseguir um espaço sem se vender ou tocar covers ou algo do tipo. É difícil conseguir renda, que não deixa de ser algo necessário para a existência de uma banda com músicas autorais. Só quem chega lá ou pelo ou menos conseguem, se manter, são os verdadeiros, aqueles que estão ali para representar e cultivar uma cena. A maioria adora repreender o "diferente", e nós adoramos o "repreendido”. Isso dá mais vontade de gritar uma idéia cada vez mais alto.


HMB: Você acha que os incentivos fiscais dados pelo governo ou até mesmo o apoio financeiro as artes em geral, seria uma forma de tentar reativar esse cenário com produções de shows melhores?
Jilião: Então, o governo mais parece estar interessado naquilo que lhe convém, ou seja, lucro e boas jogadas de politicagem (não cabe dizer política), portanto o cenário que vemos, são de grandes espetáculos com conteúdo artístico duvidoso, atualmente o cenário artístico vem buscando alternativas de forma independente, muitas vezes até contra as permissões do governo. (Bailes Funks, músicos que tocam nas praças públicas por exemplo.) Essa "clandestinidade" da arte poderia ser evitada se houvesse mais diálogo direto com os governantes e que esses respeitassem a liberdade de expressão e reconhecerem o poder cultural que isso tem. As leis de incentivo são ótimas formas para conseguir elaborar novos projetos, no entanto, o processo é burocrático e há grande dificuldade de conseguir bons acordos com a iniciativa privada. O que mais vemos são artistas que não conseguem viver de sua arte e precisam optar por outros caminhos que não satisfaçam seus desejos pessoais.

HMB: Planos para o futuro?
Jilão: Bem, finalizar a gravação do nosso novo trabalho, “População Chorume”, buscar novos contatos e apresentações para divulgar nossa ideia e material. Compartilhar nosso sentimento com outras tribos e eventos, em picos conhecidos do Underground.

HMB: Resuma Jilão em uma frase.
Jilão: Bem, Jilão em uma frase? Difícil (risos). Bem é uma frase simples e minha, que está na canção Morte Súbita: "O que se leva da vida, é a consciência" acho que essa frase traduz um pouco de todos os membros da banda.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Jilão: Galera que está aqui sacando um pouco do nosso trampo e da nossa opinião, muito obrigado. Abram os olhos de todos ao seu redor, vamos escutar mais música, vamos melhorar nossa condição! Só depende de nós! Vamos manter as bandas e o cenário Underground vivo, e não deixar que enterrem nossos ideais! Espero que curtam essa entrevista e procurem saber mais sobre nossa banda e passar adiante! Um grande abraço em todos os leitores e ao blog HM Breakdown! Muito obrigado JP, por esse espaço e continue com seu trabalho aqui que é magnífico e muito importante mesmo! E é isso. Terra Santa Porra!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Roosvelt Bala, O Coração de Metal


Qualquer um que goste, um pouquinho que seja, de Heavy Metal sabe, que o Stress, banda oriunda de Belém, no Pará, foi quem gravou o primeiro disco de Heavy Metal deste País, ponto final! Não! Ponto final nada! A banda ainda existe está ativa e leva a bandeira do Heavy Metal em seus shows, discos e acima de tudo, no seu estilo de vida. Conversamos com Roosvelt Bala, baixista e vocalista deste "nosso" verdadeiro patrimônio metálico que trouxe a luz alguns aspectos do passado, do presente e do futuro do Stress. Confira a seguir.

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Roosvelt Bala: Desde cedo eu já era aficionado por música, segurava a vassoure e batia cabeça, aos 3 anos de idade, ouvindo Brazilian Beatles na rádio...
Comecei a comprar vinis aos 9 anos, os primeiros foram Johnny Rivers ao vivo e Creedence - Cosmos Factory. Ganhei um gravador Panasonic do meu Pai, aos 10 anos, com o qual gravava músicas da abertura da TV e do Rádio. Reunia os coleguinhas pra ouvir som á noite na frente de casa. Meu gosto era bem apurado, tendendo para o rock mais agitado.
Aos 15 anos entrei para o Stress, convidado por um colega de escola, que me ouviu cantarolando Led Zeppelin, no canto da sala de aula, sozinho.
Isso era 1976. De lá pra cá minha ligação com o rock ficou séria. Me formei em eletrônica, mais tarde em Processamento de dados...entrei concursado na Petrobras, onde trabalhei por três anos. De 75 a 82 o Stress se tornou uma banda conhecida em Belém, lotando teatros e grandes ginásios. Depois do lançamento do nosso primeiro LP nos tornamos conhecidos em outros estados, através de fitas K-7 e matérias em fanzines xerocados. Éramos a primeira banda a lançar um LP de Metal no Brasil. Mas, só saberíamos disso um ano depois, em 83, depois de nos apresentarmos no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Em 85 larguei a Petrobras e fui morar no Rio de Janeiro. Logo depois do Rock in Rio I gravamos o Flor Atômica. Ficamos conhecidos nacionalmente. O Brasil tinha enfim seu primeiro representante oficial no Heavy metal anunciado por todas as revistas especializadas em música, fanzines e etc.


HMB: Lembro-me que no primeiro disco do Stress, havia o logotipo da Pepsi-Cola na contra capa, mas eu nunca mais vi uma cópia com esse logotipo, foi uma parceria para a primeira prensagem?
Bala: Aquela era a tiragem original, de 1000 cópias, é raríssima.
Os custos daquele LP foram altos. Viagem para o Rio, estadia, alimentação,  estúdio, prensagem. Gastamos tudo o que tínhamos mais ainda faltavam às capas. Apelamos para a Pepsi-Cola para que eles fizessem as capas. Por conta desse custo - mínimo em relação ao total -, tivemos de colocar aquela logomarca enorme na contracapa do LP. A tiragem original foi de 1000 cópias, em 1982. A outra tiragem só veio acontecer em 2001, pela Dies Irae, com 1000 CDs e 500 LPs, já com a logo deste selo. Continua sendo uma raridade.

HMB: O que você se lembra dessa gravação, dificuldades técnicas, já que o Heavy Metal era uma novidade por aqui?
Bala: Era infinitamente mais difícil se gravar um disco naquela época, os custos eram altíssimos, equivalente ao de um apartamento de dois quartos. Não havia mais o que fazer em Belém, já tínhamos tocado nos melhores e mais conceituados teatros e ginásios da cidade, era preciso seguir à diante. Através de um amigo (o Profeta), contatamos o estúdio Sonoviso, no Rio, que nos garantiu que saberia gravar o nosso rock, já tinham feito isso várias vezes e dispunham de todo equipamento necessário para a gravação. Juntamos dinheiro com shows, vendemos objetos, pedimos pros pais e pegamos um ônibus pra enfrentar três dias de estrada até o Rio. Ficamos numa modesta pensão no Catete, dividindo beliches num único quarto. Quando chegamos ao estúdio nos foi oferecida uma bateria toda fodida, quebrada e desmontada, jogada num canto de uma saleta. Usamos barbantes e fita adesiva pra deixa-la armada. Recebemos a informação de que todo o equipamento prometido (bateria, efeitos, pedais, instrumentos) deveria ser alugado. Finalmente começamos a gravar, tínhamos de ser rápidos e a grana estava curta e a hora de estúdio era uma facada. Começamos a perceber que os caras não manjavam porra nenhuma de gravação de rock pesado. Chegaram ao cúmulo de propor que tocássemos sem distorção, que eles dariam um jeito de colocá-la na mixagem. Tratamos de fazer nossa parte, tocamos como se estivéssemos num show, com toda fúria e crueldade que as músicas pediam, afinal, naquele momento estávamos registrando anos de trabalho e defendendo nossas ideias e pontos de vista não só sobre a música em si, mas, sobre o cenário social injusto para a maioria das pessoas.
Gravamos tudo em 16 horas, foi meio “nas coxas”, mesmo, não tínhamos mais grana pra pagar outras horas de estúdio e ainda teria a mixagem. Quando tudo terminou tivemos a certeza de que os caras não estavam preparados pra gravar rock pesado. Ficamos extremamente decepcionados com o resultado, esperávamos algo compatível com o que estávamos acostumados a ouvir. Não havia mais nada a fazer, não tínhamos mais recurso pra refazer qualquer coisa, nem pra pagar as horas extras de mixagem. Acabamos saindo sem pagar às duas horas de mixagem, putos com o resultado.
Relutamos muito em prosseguir com a produção desse disco, tamanho nosso desapontamento. Resolvemos, então, fazer uma tiragem mínima de 1000 cópias, só pra termos um registro oficial das músicas e não jogar fora a grana já investida. Juntamos mais dinheiro e fizemos a prensagem. A Pepsi-Cola, patrocinou as capas. Depois de toda essa odisseia, finalmente lançamos o álbum, sem saber que seria uma obra histórica. O tempo nos mostrou que foi a atitude correta, se não, outra banda começaria o metal no Brasil.


HMB: Fazendo um comparativo com o seu começo, como você hoje vê os estúdios, as gravações e as finalizações do CD?
Bala: Hoje é extremamente mais fácil gravar, mixar, masterizar e prensar CDs - tanto tecnologicamente falando, como em relação aos custos. Os Home Studios estão por toda a parte, qualquer pessoa bem informada pode operar o equipamento. Os instrumentos importados estão com preços acessíveis e disponíveis no mercado nacional. Tecnicamente, o nível dos músicos e dos vocalistas melhorou, assim como o conhecimento dos técnicos de gravação e produtores musicais. Estamos quase pau a pau com os gringos, aquela enorme diferença de nível que havia no passado caiu por terra.

HMB: Qual é a sua visão do cenário da música pesada brasileira?
Bala: Temos excelentes bandas, músicos e cantores de ponta. Entretanto, o cenário está muito fragmentado. As dezenas de subdivisões do metal (Thrash/Black/White/Speed/Doom/Gothic/New/Indie) acarretaram um "racha" gigantesco no movimento. Antigamente (70/80's) todos iam aos shows, não importava o estilo, bastava ser rock/metal. Agora, cada estilo tem seu público específico, que normalmente odeia os demais estilos.
Outro agravante, a nova geração de "Rockers" é muito acomodada - sentam a bunda ao PC/Tablet/Celuilar, pra criticar e promover desunião -, só se mobiliza pra ir aos grandes shows internacionais, comportamento bem diferente dos Old School, que prestigiavam as bandas nacionais, éramos quase que uma Irmandade Metálica. Nossa geração já fez a sua parte (ainda faz), não temos mais condições de ir a campo pra lutar pelo nosso Metal brasileiro, pegar estrada como antes. Espero que a nova geração não detone tudo que plantamos, com muita batalha e com muita paixão.


HMB: Como você vê os que se valem do anonimato da Internet para o mal, geralmente depreciando o trabalho ou a arte de alguém pura e simplesmente porque pode jamais vai ser descoberto? E como você vê as leis que regem a internet e que são passíveis de interpretações errôneas?
Bala: Acho uma grande covardia esse tipo de atitude. Principalmente porque os indivíduos não tem coragem de falar cara a cara, se valem, inclusive, de perfis fakes para detonarem suas frustrações. Eu já estou calejado, sei muito bem como lidar com essa situação, o melhor é desprezar, bloquear, excluir do seu ciclo de contatos, assim eles sofrem sozinhos. Meus amigos não lhes darão ouvidos, pois, quem me conhece sabe do meu caráter e minha conduta. Se não gostar do meu trabalho, eu compreendo, pois, eu também não gosto de tudo. O que eu exijo é que haja respeito, sempre.
As leis que tratam desse assunto, ainda são muito desembasadas! Não é um universo fácil de lidar, tudo pode ser real e não palpável ao mesmo tempo. É preciso que se cuide melhor dessa questão, tornar crime alguns atos cotidianos na net, fazer os infratores pagarem penas, pois, daqui pra frente só tende a ficar mais problemático ainda.

HMB: Como foi ser open act para o Iron Maiden?
Bala: Começamos com o Stress antes do Iron, em 1975. Conhecemos seu som somente em 80, ficamos fãs na hora. Ao longo dos anos o Iron Maiden tornou-se uma das três bandas top do Metal mundial, até se tornar a maior da história. Em nossas festas (rockadas) e nossos toca-fitas não faltavam o som pauleira do Iron. Era inimaginável, nos nossos tempos de garoto, que um dia pudéssemos assistir a um show deles no Brasil. Ver nossos ídolos na nossa própria cidade, sem tradição nenhuma de grandes shows internacionais, e ainda por cima poder tocar no mesmo palco que eles (nossas próprias músicas), interagir, tirar fotos, ser aplaudidos e elogiados por eles. Isso foi surreal! Um sonho para qualquer mortal, amante do Heavy Metal. Desse show saiu o DVD "Stress abre a Donzela" (2012), uma das melhores performances de nossa carreira.

HMB: E como está sendo a receptividade deste DVD?
Bala: Esse DVD (Stress abre a Donzela) é mais que um simples produto do Stress, é o registro histórico de um dia inesquecível, para todos nós paraenses. As imagens foram doações de Headbangers da plateia, que somadas à nossa - de uma única câmera no palco - resultaram em um excelente DVD. Todos que o assistem se sentem parte daquilo, bate uma cumplicidade geral. Uma banda brasileira, paraense, abrindo o show dos maiores ícones do Metal mundial. Parece enredo de filme hollywoodiano.

HMB: De quem foi a ideia do crowdfunding para o lançamento em CD e DVD do evento Peso Brasil? Como foi participar deste evento?
Bala: A ideia foi do André Big, do Metalmorphose, com o apoio do Ricardo Batalha e de todas as bandas envolvidas. Certamente foi a mais importante reunião da história do metal brasileiro em todos os tempos. Músicos, jornalistas, personalidades, público, todos em perfeita sintonia. Não dá pra descrever o clima de comoção geral, emoção à flor da pele. Muita emoção nos bastidores, no palco e na plateia, algo jamais visto antes, lágrimas eram comuns. E o mais importante, bandas de metal brasileiro cantado em português. Memorável!


 HMB: E como está sendo a aceitação deste crowdfunding?
Bala: Não está sendo fácil atingir a meta. Isso me desaponta bastante. São cinco bandas brasileiras com história. Conforme o resultado, eu vou repensar se vale a pena criar coisas novas ou só me divertir com o que já fizemos.

HMB: Planos para o futuro?
Bala: Conforme o sucesso ou não do Crowdfunding do Super Peso Brasil, podemos lançar um álbum novo, temos material de sobra pra isso (lançamos uma inédita em janeiro, chamada Heavy Metal é a Lei). Se não tivermos o apoio necessário, provavelmente cancelaremos esse novo lançamento. Continuaremos a fazer apenas os shows que valham a pena.

HMB: Resuma Roosvelt Bala em uma frase ou palavra.
Bala:"O Coração de Metal"

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Bala: Eu também agradeço pela consideração e pela oportunidade de contar um pouco da nossa história. Gostaria que essa nova geração de fãs do metal tivesse a mesma união que a minha teve. Não deixem o sonho se esvair, aceitem os gostos nem sempre coincidentes, respeitem as opiniões adversas. Heavy Metal não é política e nem religião. É uma paixão a ser compartilhada e não disputada!
Um pesado abraço, direto da Amazônia!


(NOTA: Após essa entrevista o crowdfunding do evento
Super Peso Brasil atingiu seus objetivos e com
o apoio do público, e será lançado muito em breve.)